REPRESENTATIVIDADE

Mulheres comandam programação especial no Canto de Cabocla, em Mogi, nesta semana

MOGIANAS Hoje quem se apresenta é Bia Mello, com canções emocionantes; amanhã o palco é da DJ Fabíola Sellan, que faz discotecagem com músicas brasileiras

Como já virou tradição no Espaço Cultural Canto de Cabocla, todo o mês de março é dedicado às mulheres. Sendo assim, nesta semana comandam o show as artistas mogianas Bia Mello, Fabíola Sellan, Célia Fonseca e Alissa Viana. Os repertórios são variados, e os ingressos disponíveis a preços populares.

A agenda da semana, na verdade, começou ontem com a proprietária da casa, Sandra Vianna, que também é musicista, e seu palco aberto. Às 19h30 de hoje a programação é intensificada com o concerto de Bia Mello e Waldir Vera, repleto de canções “de alta sensibilidade que emocionam o público”.

São músicas “escolhidas a dedo”, tanto da face mineira e alternativa da MPB como sons autorais, já que ambos são compositores. E eles ainda recebem o Trio Ametista, formado por mulheres, e também o cantor Pedro Cirilo, de Suzano, para participações especiais.

Amanhã, às 20 horas, a calmaria do show de Bia Mello abre espaço para a energia contagiante do projeto ‘Pindorama’, da DJ Fabíola Sellan, que promove “discotecagem com música brasileira”. No mesmo horário, mas no sábado, o agito se transforma na seleção eclética de Célia Fonseca, uma das integrantes da Big Charles Band, que inclui faixas “antigas, atuais e brega”.

E para encerrar a semana de maneira igualmente diversificada, Alissa Viana, filha de Sandra, sobe ao palco às 20 horas de domingo com vários convidados para entoar cantos “mais voltados para o rezo, para o mantra”.

Desde a fundação da casa, em 2018, a proposta do local é criar uma agenda colaborativa e livre. Isso quer dizer que Sandra mantém um grupo com muitos artistas e divulga lá as datas disponíveis. Cada um escolhe a sua e decide o que apresentar. “Somos o único local da cidade que oferece a possibilidade de o artista se ser, assumir o palco, a produção visual, o cenário… E o público respeita muito isso”, diz ela.

Nesse sentido, o que dizer do mês de março, quando 100% das datas são reservadas para vozes femininas? “Em nosso grupo temos as ‘minas’ e os ‘manos’, e quando abro a agenda já deixo avisado que em março o canto é delas, que acabam trazendo outras mulheres para a roda”, responde Sandra.

Para ela, porém, isso não deveria acontecer em apenas um período do ano, e sim de forma continuada. “Não é só agora que temos que ter a valorização da mulher. Com exceção do palco do Canto eu ando afastada da noite e não tenho tocado, mas sei que agradar o público significa deixar a expressão artística de lado, pois as pessoas estão habituadas a ouvir o que está no rádio. Só que a voz da mulher deve ser ouvida o tempo todo”.

A “voz da mulher” a que ela se refere traz muitas mensagens, sempre ligadas à resistência, e comporta inclusive representantes LGBT, como Konny Lee, que se apresentará no espaço na próxima semana.

“O canto é mais feminino do que feminista, porque apesar da luta a gente não pode segregar, não pode tirar a oportunidade de alguém conhecer o movimento. Então além da requisição do espaço de cada uma dentro que se está fazendo, falamos sobre acolhimento e sobre mostrar aos ‘manos’ que tem que haver respeito”, encerra Sandra.

O Canto de Cabocla fica na Rua Barão de Jaceguai, 944, no Centro. Outras informações estão disponíveis pelo telefone 4726-8218 ou em facebook.com/cantodecabocla.


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