TEATRO

Musicais trazem clássicos da literatura para Mogi das Cruzes

NOVA LINGUAGEM A equipe da Tearts aposta em figurinos coloridos e literatura de cordel para dar vida às aventuras de Dom Quixote de La Mancha. (Foto: divulgação)
NOVA LINGUAGEM A equipe da Tearts aposta em figurinos coloridos e literatura de cordel para dar vida às aventuras de Dom Quixote de La Mancha. (Foto: divulgação)

Um sonho de 41 anos. É isto o que ‘O Cavaleiro da Triste Figura’, que será encenado no dia 22 de agosto, no Teatro Vasques, simboliza para a Tearts Produções Artísticas. A fundadora da companhia, Jamili Bensivenga Miguel, encenou uma montagem sobre Dom Quixote em 1978, e de lá para cá veio amadurecendo a ideia de criar a própria peça sobre a obra de Miguel de Cervantes (1547-1616). Agora ela o faz, e mais do que isto, também apresenta, na mesma semana, outros dois espetáculos: ‘Os Saltimbancos’ e ‘Amoriô’.

Na verdade, ‘Amoriô’ ganha o palco do Vasques primeiro, no dia 18 de agosto, e com uma proposta diferente, que consiste em misturar diferentes histórias do escritor inglês William Shakespeare (1564-1616). O texto conta com três trovadores em estilo de literatura de cordel, e tem como pressuposto a seguinte pergunta: “Quem nunca pensou num mundo mais colorido onde as cores ganham vida e voz, e onde cada um, com suas diferenças, respeita e ajuda o próximo?”.

Segundo Jamili, são três flores que viajam ao contar as tais histórias, criando um ambiente lúdico para as crianças, com troca de figurinos, cenários coloridos e muita música. Trata-se portanto de um formato novo para uma peça já encenada em outros tempos. “Temos agora uma nova linguagem, pois estamos com uma equipe formada por atores que são professores e também atuam em musicais”, diz ela.

‘Os Saltimbancos’ também vai pelo caminho musical. Com encenação marcada para o dia 21 de agosto, a clássica aventura de quatro animais que resolvem fugir de seus donos para tentar a sorte como músicos foi repaginada pela Tearts, e ao invés das canções originais de Chico Buarque, apresenta canções conhecidas de filmes da Disney.

Assim como na montagem inicial, da década de 1970, o público poderá acompanhar a história de bichos que se sentem explorados. São eles uma gata, que descobre que a vida pode ser muito mais do que um “bom cochilo, uma sardinha ou leite fresco”; um cão de guarda que quer tomar as próprias decisões; uma galinha que cansou de botar ovos sem parar e um burro que não aguenta mais carregar peso.

Já ‘O Cavaleiro da Triste Figura’ traz mais uma vez o universo do cordel sertanejo ao estabelecer uma fábula com uma trupe de artistas no palco. Esta versão de Dom Quixote é uma reprodução da clássica história publicada pela primeira vez em 1605, porém agora embalada por canções com o tom das narrativas medievais.

Para Jamili, é difícil falar desta última montagem sem se emocionar. “A fiz em 1978, com o grupo Volante Mogi das Cruzes e a direção de Arnaldo Dias, que escreveu o texto e me disse que se um dia eu quisesse, poderia montá-lo também. Aquilo ficou na memória”, conta ela.

O que a impedia de tornar o sonho real eram os custos. “Fiquei encantada e tinha um formato em mente, com uma roupa especial. Cheguei até a cotar a confecção dela, que seria de metal, porém ficaria caríssima. Também queria fazer teatro de sombras e apresentar figurinos fiéis aos usados no século XVI, porém seriam muitos personagens”.

A atual equipe da Tearts, formada por Liza Caetano, Thiago Vaz, Gabriel Ferreira de Melo, Wilton da Silva Leal e Solange Oliveira é o que faz o espetáculo possível neste 2019. “Os encontrei num café e conversamos sobre a peça e a literatura de cordel. Percebemos que seria viável produzir ‘O Cavaleiro da Triste Figura’ dessa maneira, pois ela reutiliza muitos tecidos e vestimentas, então partimos do que já tínhamos”, conta Jamili.

A linguagem abordada então passou a ser similar a de ‘Amoriô’. “A parceria com estas pessoas tem me deixado encantada, pois são profissionais muito competentes. Tanto que conseguimos colocar no palco 12 personagens de diferentes países para cantar e tocar ao vivo”.

Buscando apoio

Por mais que o orçamento necessário tenha diminuído, nem tudo são flores para a Tearts, que busca patrocínio para recuperar o que foi investido e também para encenar mais vezes a peça. “Estamos buscando o apoio de empresas, que podem nos ajudar a adquirir microfones e equipamentos caros, que hoje são alugados, tendo sessões exclusivas como contrapartida”.

Mais do que financiar a arte, o objetivo da companhia é promovê-la. “Queremos que as pessoas sintam a magia do teatro, que faz com que as crianças interajam com a história ao vivo, por exemplo. É uma manifestação que colabora muito para o desenvolvimento pessoal de quem assiste, e uma cultura assim não pode ser esquecida”.

Além dos grupos empresariais, a Tearts vende ingressos individuais para todos os espetáculos, e também há a possibilidade de reservas para grupos escolares, com valores diferenciados. Preços, classificações e outras informações podem ser obtidas em facebook.com/teartsproducoes ou então no Teatro Vasques, localizado ao número 515 da Rua Dr. Corrêa, no Centro.

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Heitor Herruso

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