CADERNO A

Músicas como forma de homenagem

JUNTOS Paulo Henrique (PH), e Mariana Ribeiro criam arranjos originais para as canções solicitadas, que vão de Roberto Carlos à Ed Sheeran. (Foto: divulgação)
JUNTOS Paulo Henrique (PH), e Mariana Ribeiro criam arranjos originais para as canções solicitadas, que vão de Roberto Carlos à Ed Sheeran. (Foto: divulgação)

Longe dos palcos, festas, eventos e exposições, os artistas procuram formas de se manter ativos tanto cultural como economicamente. Nessa busca, músicos da cidade têm descoberto que mais do que uma forma de entreter, divertir e emocionar, canções podem ser utilizadas como homenagens, como presentes. É o que prova o casal mogiano Paulo Henrique (PH) e Mariana Ribeiro, que transformou a própria arte no projeto ‘Um Som Pra Você’, que está recebendo pedidos inclusive para o Dia dos Namorados.

A dinâmica é a seguinte: ao serem contratados, PH e Mariana tocam de tudo, mas não se trata de covers, apenas. Eles levam o estilo deles para a música, seja ela qual for, com arranjos próprios e tudo mais. Exemplos de solicitações são Beatles, músicas da banda norte-americana Journey, sucessos do cantor Ed Sheeran e também clássicos nacionais, como Roberto Carlos e grandes nomes da MPB, como Tom Jobim.

“Presenteie e homenageie quem você ama com música” é o slogan do projeto, e também o que realmente tem acontecido. “Filhos contratam canções para os pais, mas o principal são casais, com músicas especiais para os dois”, conta PH, que além de tocar e cantar ainda declama mensagens que as pessoas escrevem, procurando “não mudar nenhuma sílaba” dos textos que recebe.

Enquanto ele faz a composição e toca violão e violoncelo, Mariana comanda os violinos e outros instrumentos. Caso não seja possível registrar o som de todos eles num “take” só, uma taxa para edição é aplicada, e então o vídeo-homenagem pode virar um “quarteto de cordas”.

Além da música e da mensagem, a pessoa pode escolher os instrumentos, e outra possibilidade é enviar materiais ou ideias para que o casal componha canções originais. “O projeto está sendo melhor do que imaginávamos. Estão chegando bastante pedidos, e o diferencial é esse olhar mais cuidadoso, tanto na parte do arranjo como na decoração e execução”, diz PH.

Quando há necessidade de editar e sincronizar diferentes faixas de áudio, o casal conta com a ajuda de um dos filhos, Vinicius, de 16 anos, que aprendeu a mexer em softwares do gênero para auxiliar na produção de um podcast da Etec Presidente Vargas, de Mogi. “É ele quem dá o toque final. Fazemos tudo em família”.

“Começamos com uma música de Natal, depois tocamos Stevie Wonder, depois Pixinguinha, e assim por diante”, explica PH. A iniciativa fez com que o casal de músicos conseguisse ter uma compensação financeira, já que palcos e estúdios estão, por hora, fechados. O segredo, dizem eles, está na originalidade e exclusividade. “De certa forma, é um arranjo original para a pessoa, e não vai ter nada parecido”.

Em outras palavras, o vídeo final, enviado via WhatsApp para quem contratou ou diretamente para a pessoa homenageada funciona “como se a música fosse tocada dentro da sala dela”. Mais do que isso, é ainda “uma forma de melhorar o mercado artístico da cidade, valorizando o artista local”.

Realmente, além de PH e Mariana, outros músicos, como Daniel Saway, estão com iniciativas deste gênero. “Em São Paulo tem muita gente que faz isso há mais tempo, e é muito bom ver os artistas daqui fazendo também. Este tipo de trabalho tende a se fortalecer, e o sol nasce para todos”.

Boa expectativa para a data comemorativa

Além das contratações de homenagens musicais para aniversários e outras datas, o Dia dos Namorados tem movimentado a agenda de Paulo Henrique (PH) e Mariana Ribeiro. Eles precisam de alguns dias para fazer os vídeos com a qualidade que estabeleceram como padrão, mas brincam que se o número de solicitações crescer nesta reta final eles podem “virar a noite de quinta-feira fazendo mais vídeos”.

A expectativa para o dia mais romântico do ano é alta, e ao longo dessa semana eles estão se dedicando a produzir as solicitações que já tem em mãos. A demanda crescente faz o casal adiantar que mesmo num cenário livre do novo coronavírus, o projeto ‘Um Som Pra Você’ continuará.

“Esse projeto vai nortear nossa vida, na verdade. Eu trabalho com produção e já produzi discos de vários cantores da cidade, e estou construindo um estúdio em casa. Essa coisa online surgiu e a gente viu que dá para trabalhar com isso, então acreditamos que será uma das partes mais importantes do nosso trabalho produzir esse material”, diz PH.

Quando a pandemia passar o estúdio será finalizado, e então a casa dos músicos poderá receber gravações de outras pessoas. Enquanto isso não acontece, ambos percebem a dimensão deste novo formato de trabalho, que, acreditam, pode expandir para outras facetas da arte, como a pintura, a poesia e o artesanato. “Este tipo de empoderamento de trabalho online é tendência em todas as áreas”, resumem.


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