EDITORIAL

Na contramão

Agora, o Expresso Turístico vem uma vez a cada três meses

A redução das viagens do Expresso Turístico entre São Paulo e Mogi das Cruzes e o sumiço da opção de compra dos bilhetes no site da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) têm motivo: falta infraestrutura mínima para o turismo.

Embora com a faca e o queijo na mão, a cidade demora a cuidar de um segmento gerador de renda e empregos que seguirá em alta. As novas gerações, formada pelos jovens identificados como “millennials”, projetam como meta de vida e de consumo viajar mais e acumular experiências ao invés de comprar bens materiais.

É por isso que muitos jovens, ao contrário dos pais e dos avós, começam a conhecer outras cidades e países antes de ter a casa própria ou até o carro, numa inversão do comportamento de consumo de bens e produtos medida em países onde os “millennials” são uma parcela significativa. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa jovens representam 25% da população.

Bem, Mogi está a 50 quilômetros de São Paulo. Praticamente no quintal da Capital e preserva belezas naturais e fortalezas culturais e históricas para todos os gostos. Na carta turística estão festas religiosas seculares, ícones do patrimônio nacional e estadual (Igrejas do Carmo, Casarão do Carmo), propriedades turísticas rurais e núcleos ambientais (parques públicos e privados, como o das Neblinas), muitos estabelecimentos gastronômicos (mercadão, feiras noturnas, varejão e restaurantes típicos).

A cidade tem estatura para desfrutar de prestígio no turismo.

Porém, há de se colocar os pés no chão. Ela não consegue rivalizar ao menos com as demais cidades por onde circulam o Expresso Turístico.

Quando os trens vinham aos domingos, a deficiência era mais perceptível. A opção passou a circular aos sábados, numa tentativa de diminuir o desencanto dos turistas que encontravam os museus e o Mercado Municipal fechado (no caso, após as 12 horas). A data mudou para o sábado e, agora, o trem virá quatro vezes por ano.

Mogi desperdiça oportunidades por falta de investimentos públicos e ferramentas nem tão custosas assim, como admite o próprio secretário de Cultura e Turismo, Mateus Sartori. Ele cita em nossa reportagem a necessidade de melhor apresentar as potencialidades da cidade a partir da atualização dos nossos quadros turísticos (empreendedores tentam, mas costumam morrer na praia) e de ferramentas exigidas pelo público viajante (cada vez mais jovem e digital), como um eficiente site de internet e aplicativos que integrem o turista, o guia de viagem e o estabelecimento turístico. Infelizmente, nem o mínimo a cidade possui.