ARTIGO

Na mira das “big techs”

Claudio Costa

claudio.costa@dobroy.com

A maré finalmente se voltou contra as big techs (gigantes de tecnologia). Na semana passada, o Twitter proibiu propaganda política na sua rede, a União Europeia disse estar considerando normas bem mais rígidas contra os monopólios digitais e a cidade de Toronto recuou em projeto da Google e processou a gigante de tecnologia de buscas na internet por mau uso dos dados de localização.

De acordo com a editora chefe de um dos mais conceituados jornais americanos, os últimos acontecimentos acima citados deixam claro um repúdio junto às big techs do Vale do Silício que, ao longo dos últimos 20 anos, foram da utopia à distopia e que deixaram de ser inovadoras de garagem fragmentárias para se tornarem capitalistas da vigilância, que lucram com dados pessoais e têm o poder de influir nas eleições e esmagar competidores ainda maiores do que elas.

Esta evolução desencadeou o que acredito será uma reação significativa e duradoura de políticos e autoridades reguladoras do mundo todo. Também estamos vendo três mudanças cruciais que afetarão não só as big techs, mas todo mundo.

Primeiramente, veremos mudanças fundamentais no modelo de negócios das empresas de plataformas de tecnologia onde o Congresso Americano espera acabar com brechas legais tornando as empresas muito mais responsáveis, juridicamente falando, pelos conteúdos publicados em suas redes.

A pressão reflete outras mudanças onde ao longo de quatro décadas o setor privado esteve em ascensão, porem agora observa-se que o setor publico busca um maior controle sobre os supostos monopólios exercidos no segmento de tecnologia e como toda essa riqueza é distribuída na economia do mundo digital.

Por último é garantir que o ecossistema digital em que grandes empresas, startups e usuários operam seja realmente justo como parte da mais importante das mudanças onde a era da criação de riqueza da lugar a uma era de distribuição da riqueza.

O futuro promete ser um jogo pesado em busca do equilíbrio e uso adequado da tecnologia a serviço da humanidade e ao mesmo tempo evitar que a riqueza oriunda do neoliberalismo econômico fique concentrada nas mãos de poucos. Forte abraço.

Claudio Costa é economista, empresário e diretor de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Mogi das Cruzes


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