ARTIGO

Na ponta do lápis

José Francisco Caseiro
ciesp@ciespaltotiete.com.br

O Produto Interno Bruto (PIB) – soma de todos os bens e serviços produzidos no País – fechou o ano passado com crescimento acumulado de 1,1%, em relação a 2017, na série com ajuste sazonal. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pouco antes do carnaval. Só como comparação, o Brasil fechou 2017 com expansão de 1,1%, mas nos dois anos anteriores registrou queda: 3,3% em 2016 e 3,5% em 2015.
Para ir direto ao nosso ponto, o setor industrial foi um dos destaques do levantamento, com crescimento de 0,6% em 2018. Ficou atrás do setor de serviços, com 1,3% de aumento e à frente da agropecuária, com 0,1%.
Mesmo que com números bem baixos para demonstrar a tão sonhada recuperação do País, o resultado da atividade industrial em janeiro deste ano, mais o desempenho no PIB, mantém a pontinha de esperança para os próximos meses, semestres.

O otimismo se respalda também no bom desempenho do tempo de trabalho na produção, no número de empregados e no uso da capacidade instalada, que aumentaram em relação aos níveis de dezembro e de janeiro de 2018. A evolução desse dinamismo depende, agora, do avanço nos ajustes e reformas.

Com o fim do carnaval, a expectativa é de que a reforma da previdência venha com força total. E sem tropeços para não colocar a perder o pouco que se ganhou até agora.

Para quem tem dúvidas sobre a importância dessa reforma, basta saber que do gasto total do governo federal, 52% é para o pagamento de aposentadorias e pensões. A continuar do jeito que está, em 15 anos 100% do orçamento ficará comprometido com a previdência. Isso significa que deixarão de existir recursos para a saúde, educação, segurança. Com um detalhe, ainda, a grande massa de trabalhadores continuará com aposentadorias que mal dão para sobreviver.

A proposta colocada pelo governo, ainda que precise de acertos e melhorias, prevê uma economia de R$ 1 trilhão em 10 anos e o equilíbrio da despesa com previdência no Tesouro. Isso é essencial para que os pequenos avanços citados inicialmente se consolidem. Não há espaço para erros e muito menos tempo a se perder com polêmicas sexuais em redes sociais.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê