Não sobra para ninguém

Como a deste ano, nunca houve uma eleição assim, de prazos tão exíguos. Estamos a pouco mais de 100 dias do 2 de outubro, data em que a Cidade escolherá seus novos prefeito, vice prefeito e vereadores. E o que temos de confirmado?Absolutamente nada! Ou quase nada: de seguro, a certeza de que Marco Bertaiolli e Cuco Pereira, atuais prefeito e vice, não poderão se candidatar à reeleição, visto que já exercem o mesmo cargo por dois mandatos seguidos. E que a vereadora Odete Rodrigues Alves Sousa (PR) não disputará a reeleição, por decisão própria já formalizada.
De resto, só especulação que, na melhor das hipóteses, será superada dentro de 30 dias: o calendário eleitoral deste ano prevê a realização de convenções partidárias, para a definição de candidatos e coligação, no período de 20 de julho a 5 de agosto. Apenas a partir daí os postulantes poderão iniciar formalmente suas campanhas. Por enquanto, alguns fazem reuniões e posam de “virtuais candidatos”.
Isto por força das decisões judiciais que reduziram a campanha eleitoral dos 90 dias anteriores para os 45 deste ano. Também na televisão: os antigos 45 dias de horário eleitoral gratuito foram reduzidos para 35 dias. O blá-blá-blá televisivo só começará dia 26 de agosto.
Acresça-se a isto a nova regulamentação para o financiamento das campanhas eleitorais e tem-se uma equação de difícil cálculo: tempo menor e menos recursos.
Este quadro favorece quem?
Sem dúvida, em primeiro lugar aos políticos com trajetória conhecida. Como vereadores de longo exercício legislativo, deputados e congêneres. Em segundo lugar, grupos da chamada ‘sociedade civil organizada’. Aqui se incluem as associações religiosas, de bairro, entidades de classe.
Um exemplo: imagine-se que os médicos de Mogi das Cruzes, conhecidamente dispersos sob o aspecto político, decidam-se unir e trabalhar por um único nome. E, a cada final de consulta nesse período de 45 dias, entreguem uma sugestão de voto ao paciente. Igual raciocínio imaginário vale para todos os outros profissionais liberais, de advogados a engenheiros, de arquitetos a dentistas.
Como eles jamais agiram assim, é de se prever que não o farão este ano e, por consequência, permitirão que o façam outros setores da comunidade. Pelo que, pode-se prever, o índice de renovação política por estas bandas será um dos menores, na eleição de 2 de outubro.


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