CHICO ORNELLAS

Nas coxias do teatro municipal

Em um restaurante de Mogi, 1962 – Pouco antes da posse, o prefeito Carlos Alberto Lopes e o vice-prefeito Waldemar Costa Filho, compartilham a mesma mesa. Seria uma das últimas. Pouco depois, celebrariam a maior dissidência política da Cidade nos últimos 50 anos.

O prefeito Carlos Alberto Lopes estava mesmo em palpos de aranha no meio de seu mandato entre 1963 e 1968, o último dos três que exerceu à frente da Prefeitura de Mogi. Enfrentando uma oposição rígida do então vice-prefeito Waldemar Costa Filho, lá pelas tantas começou a defender-se de um processo de impeachment que corria pela Câmara Municipal.

Havia várias denúncias de irregularidades administrativas, quase todas envolvendo pequenos deslizes, tão pequenos que nenhum deles foi suficiente para impedir que o Tribunal de Contas aprovasse sua gestão, a Câmara e a Justiça mantivessem seu mandato. Mas isso não vinha ao caso, pois o que estava em jogo eram mesmo os interesses políticos conflitantes, tema obrigatório de todas as conversas no Bar do Lanche, no Bilhar Glória, na Cantina Mogiana, nos bailes de sábado à noite no Itapeti Clube e no Palhaço Lanches da esquina da Coronel Souza Franco com a Deodato Wertheimer.

Em um restaurante de Mogi, 1962 – Pouco antes da posse, o prefeito Carlos Alberto Lopes e o vice-prefeito Waldemar Costa Filho, compartilham a mesma mesa. Seria uma das últimas. Pouco depois, celebrariam a maior dissidência política da Cidade nos últimos 50 anos.

A coisa esquentou muito, correu a burocracia da Câmara e, finalmente, chegou a sessão de julgamento. Uns diziam que tinham maioria, outros garantiam que o impeachment já estava decretado. Enquanto, na tribuna, o advogado J.G. de Andrade Figueira defendia seu constituído, o prefeito, na sala do café circulava uma promissória de mão em mão. A sala do café funcionava, por essa época, na área hoje ocupada pela coxia do Teatro Municipal. Sim, porque a própria Câmara, durante muitos anos, funcionou no prédio do Largo do Carmo por onde passam hoje comédias e dramas da bela arte.

A nota promissória fora emitida por um vereador e já estava vencida. Por essas trilhas da política ela foi parar na mão de defensores do impeachment. A sessão ia no plenário, enquanto na sala do café, o lado que tinha a posse da promessa de dívida garantia ao emitente que a rasgaria logo após ele pronunciar seu voto pela cassação do prefeito.

Quando os defensores de Carlos Alberto Lopes souberam, um deles arrombou a porta da sala do café e gritou: “Nós cobrimos!” O vereador pagou a promissória. Ficou com um troco. O prefeito Carlos Alberto Lopes cumpriu seu mandato até o fim.

CARTA A UM AMIGO
A história se repete?

Caro Renato

Se é fato que a “história se repete”, como costumam garantir alguns estudiosos da trajetória humana, vale relembrar três fatos ocorridos entre 1975 e 1985 nesta Cidade, todos tendo Waldemar Costa Filho por prefeito e protagonista:

* José Oswaldo Arouca era prefeito de Jacareí. Determinada noite, chegou à Prefeitura de Mogi das Cruzes a informação de que uma camionete da vizinha cidade estava descarregando perto de César de Souza uma matilha de vira-latas. De pronto despachou-se para o distrito uma patrulha de funcionários municipais, que chegou a tempo de providenciar o recolhimento dos cachorros e sua devolução para Jacareí.

* Telma de Souza, representante do tempo em que PT vivia, era prefeita de Santos, quando Bertioga ainda não havia alcançado sua emancipação política. Certa tarde ela ligou para o prefeito de Mogi, reclamando que uma Kombi havia descarregado cachorros em Bertioga. O prefeito daqui disse que não tinha nada com isso e Telma perguntou-lhe de onde era o veículo, com a chapa que fora anotada. No dia seguinte, um carro de Santos passeou pela Vila Moraes, em Mogi, descarregando igual leva de caninos. Telma recebeu um telefonema do prefeito local: “Estamos quites?”, perguntou-lhe ele. Ela respondeu: “Estamos quites!” E nunca mais houve problema.

* Estevam Galvão era prefeito de Suzano quando um caminhão da Prefeitura dessa cidade deixou, em Jundiapeba, algumas famílias de sem-terra, sem teto e sem nada. Na mesma tarde, um caminhão da Prefeitura de Mogi deixou em frente da Prefeitura de Suzano os mesmos sem-terra, sem teto e sem nada.

Já houve tempo em que as prefeituras daqui eram mais divertidas.

Um grande abraço do

Chico

FLAGRANTE DO SÉCULO XX
56 ANOS – Foi em 1962, faz 56 anos: convidada para participar da inauguração de um ginásio de esportes em Volta Redonda (RJ), lá foi a fanfarra do Liceu Braz Cubas. Durante as festividades, foi literalmente ovacionada pela arquibancada. Não, não pensem que “ovacionada”, neste caso, quer dizer aplaudida. Sabe-se lá por qual motivo – talvez por uma boa inveja –, os mogianos tiveram de conviver com aplausos e muitos ovos. Tanto na apresentação quanto na despedida. Mas, tiveram tempo para a foto publicada aqui e enviada há tempos por Simão Pedro Abib, um dos protagonistas e que identificou alguns dos companheiros: os irmãos Josmar, Batista e Marquinhos Poeta, Miguel Sanches, Chico Mala, José Carlos Freitas, Di Lalo, Simão, Nelson Falinha, Dorinho Naure, Flaquer, instrutor Rubens Rodrigues de Melo (formador de caráter), José Paulo, Toru Sakoda, Didi, Dorival Romeiro, Roque Evangelista, Geraldo Miranda, Eliseu Jorge, Keiti Umeta, Pinesso, Grilo, Floreal Rosa, Adolpho Paiva, Kalú, Luizinho, Jair Gonçalves da Cunha, Ditão, Coquinho, Hideki, Álvaro e Rene.

GENTE DE MOGI
EMPREENDEDOR – O termo, hoje, está banalizado; à vista da trajetória de Leon Feffer. Ucraniano nascido em 1902, chegou ao Brasil em 1921. Em 1939 vendeu o pouco que amealhou e investiu em uma fábrica de papel no bairro paulistano do Ipiranga. Em 1955 comprou a Indústria de Papel Euclides Damiani, que transformaria na Companhia Suzano de Papel e Celulose. Sempre teve atenção com Mogi das Cruzes, onde arregimentou alguns de seus mais leais colaboradores e onde reside a maior parte de seus diretores. Leon Feffer morreu em 1999.

O melhor de Mogi
Grupos de amigos que se reúnem para se divertir, praticar esporte e… fazer o bem. Como a “Turma Ikeda – Futebol e Amizade” que promoveu há pouco, na AA Comercial, O Leitão Solidário, em benefício da Rede de Combater ao Câncer.

O pior de Mogi
Não está mais em Mogi a escada Magirus, conquistada pelo Corpo de Bombeiros, após campanha deste jornal. Ela veio capenga, presente de grego do governo do Estado, dependendo de um computador para funcionar. Chegou com estardalhaço, foi-se em silêncio. Razão tinha o ex-ministro Rubens Ricupero, em sua célebre frase: “O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde”.

Ser mogiano é….
Ser mogiano é… chamar César de Souza de “Vila Suíça”.