Negócios sustentáveis

Durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP21, realizada em 2015, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir em 37% a emissão de gases do efeito estufa até 2025. Para 2030, o objetivo é ainda mais desafiador: minimizar a emissão de gases em 43%, zerar o desmatamento na Amazônia Legal e restaurar 12 milhões de hectares de florestas.Para que o País atinja esses números, além do reflorestamento, fiscalização e criação de unidades de conservação, é preciso apostar também em alternativas de uso sustentável da floresta pelas mais de 4 milhões de pessoas que lá vivem. Uma oportunidade para atingir a meta é por meio do extrativismo sustentável, iniciativa que consiste na manutenção das florestas em pé, para que seus frutos e sementes sirvam como uma fonte de renda aos moradores das comunidades ribeirinhas e pequenos núcleos de agricultura familiar através do SAF – Sistema Agroflorestal.
As indústrias de cosméticos e higiene pessoal podem ser vistas como importantes agentes no processo de extrativismo sustentável. Isso porque grandes companhias globais passaram a buscar na natureza alternativas eficientes, como frutos e sementes com propriedades capazes de auxiliar no tratamento dos cabelos e do corpo.
No entanto, para que essa parceria entre indústria e comunidade seja colocada em prática, é necessário investir na criação de uma cadeia de fornecimento sustentável, na qual seja possível comprar os insumos naturais, criar competências empreendedoras nestas comunidades e ainda repartir benefícios com as famílias fornecedoras de matérias-primas. Esse modelo de negócio propõe que sejam promovidas alianças entre as empresas do setor, ONGs, academias e órgãos governamentai.
Um exemplo prático de como o extrativismo sustentável ajuda a promover a melhoria social e a preservação do meio ambiente está na cadeia do pracaxi e murumuru, no Pará. Em determinadas regiões, para cada 1 real investido no extrativismo sustentável, são retirados 3,6 reais da mão da obra em madeireiras ilegais. Somado a isso, temos o aumento da eficiência de políticas públicas como o Seguro-defeso e a Bolsa Verde que criam incentivos para colaborar nesse processo.
As florestas devem ser vistas como uma fonte de recursos finitos e essencial para a sobrevivência da humanidade. Sua preservação é o passaporte para um futuro com mais esperança para as futuras gerações.

Thiago Terada é gerente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Beraca


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