EDITORIAL

Nem castigo, nem fim do mundo

Em uma análise sobre o enfrentamento e as conseqüências da pandemia da Covid-19, doença provocada pelo coronavírus, dom Pedro Luis Stringhini, bispo diocesano de Mogi das Cruzes, propõe uma reflexão a respeito dos grandes questionamentos e incertezas desse momento doloroso na história da humanidade. “Não existe essa de castigo de Deus”, diz ele, ao comentar o aparecimento de mais um vírus que determina um grande número de mortes e contaminados.

O líder religioso, recomenda, basicamente, a atenção e a responsabilidade individual e dos governos com quem vai sentir muito mais os efeitos da desigualdade social como moradores de rua e os trabalhadores de serviços essenciais que estão expostos à doença e não podem ficar em casa, como boa parte das demais pessoas, em todo o mundo..

Está nessa situação quem não pode cumprir o isolamento social para se proteger da doença. “O mais difícil é para quem não tem como fazer o isolamento. Fazê-lo não é fácil, mas quando a gente pode fazer o isolamento, temos que agradecer a Deus. E este povo que não pode fazer o isolamento, precisa pegar ônibus e ir para o trabalho? A situação é sempre mais difícil para os mais pobres.

A quem busca uma explicação extra-natural para a pandemia, o bispo faz um exemplar chamado à razão, ao afirmar que Igreja considera mais essa crise humanitária como um “castigo e nem o fim do mundo”. Mas resultado da boa e velha fórmula baseada na causa e efeito  das escolhas feitas pela sociedade.

“A Igreja é bastante racional para saber que (a pandemia) é consequência do nosso modo de vida mesmo, que ficou muito frenético … É melhor olhar as coisas do ponto de vista natural e humano. Mais do que jogar nas costas de Deus, vamos olhar para nós mesmo e ver como vivemos e como queremos viver daqui para frente”, pondera, adotando linha de analistas que apontam muitas falhas, de diferentes governos, ao não priorizaram os investimentos em pesquisa, em rede hospitalar e na atenção à saúde dos cidadãos.

O religioso prega esperança após essa parada global, mas convida ao exercício da crítica racionada. “É um momento que dá para aguentar. Se for um mês, que seja, a economia se reconstrói. Também, quando se fala de economia, estamos falando de economia para quem? A economia de quem vai ficar prejudicada? É a economia do povo ou a do mercado financeiro, dos bancos e dos grandes?”, provoca ele.


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