EDITORIAL

Nem tudo está perdido

O movimento Pedágio Não voltou a revelar a força da sociedade civil organizada de Mogi

É significativa a demora do governador João Doria em se posicionar em definitivo a respeito do projeto de se instalar uma praça de pedágios no quilômetro 47 da Rodovia Mogi-Dutra, incluído na concessão de estradas litorâneas.

Desde outubro, tão logo se descobriu o plano da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), moradores, lideranças e entidades representativas da sociedade civil reagiram ao que irá impactar na economia do contribuinte paulista e, mais diretamente, na economia de Mogi das Cruzes, sem prever melhorias expressivas para combater os grandes problemas da ligação rodoviária Mogi-Bertioga.

Logo após a criação do movimento Pedágio Não, interlocutores do governador João Doria têm sido procurados e respondem com evasivas a deputados e prefeitos, deixando uma desconfortável suspeição sobre a representatividade destes junto ao Governo do Estado.

A ponto de serem obrigados a redigirem ofícios e, mais recentemente, uma carta aberta ao governador.

No governo estadual há um descuido com essa bandeira popular. Uma bandeira que não é exclusiva dos mogianos. Uma praça de pedágio na Rodovia Mogi-Dutra afeta as finanças dos moradores do Alto Tietê, onde residem 1,7 milhão de pessoas. E particularmente do comércio, da indústria, da agricultura e da prestação de serviços, que sentirão o aumento dos custos do transporte nos negócios e no escoamento diário da produção rural e fabril a se manter a decisão, já tomada, de se instalar um novo pedágio na Mogi-Dutra.

Um pedágio ali foi pensado justamente para valorizar a concessão pública que diz respeito às estradas do litoral, que recebem a maior parte dos veículos em feriados e férias. Pela Mogi-Dutra não. Passam os veículos que circulam diariamente pelo Alto Tietê e não se destinam à praia.

Falta ao Governo do Estado responder à população regional que, em sua maioria, votou no atual governador em 2018.

A região não concorda com o projeto da Artesp de aproveitar a concessão para abrir nova fonte de arrecadação muito próxima de outras duas praças de pedágio regionais (Ayrton Senna e Presidente Dutra).

Por outro lado, o movimento Pedágio Não voltou a revelar a força da sociedade civil organizada de Mogi das Cruzes. Revivi alguns dos melhores momentos da cidadania e da representatividade da cidade na defesa de assuntos de interesse coletivo. Um sinal de que nem tudo está perdido dentro do fenômeno da polarização de opiniões e convicções em evidência no País de hoje.


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