MEIO AMBIENTE

Ninhal de garças é atração no Parque Centenário

NA ILHA Pontos brancos em meio ao verde das árvores: são as garças que escolheram o Parque Centenário para se reproduzir durante a atual temporada de verão no município (Foto: Fábio Palodette)

Presença das aves tornou-se um atrativo especial para os frequentadores do parque mogiano

No início de cada ano, um fenômeno desperta a atenção e encanta visitantes do Parque Centenário da Imigração Japonesa de Mogi das Cruzes. O reduto ambiental, no meio da agitação da cidade, é o ponto de pouso, descanso e morada para centenas de garças migrantes, especialmente no verão.

Há cinco anos, estas aves brancas, que vivem em bandos, passaram a se hospedar na pequena ilha de um dos lagos do espaço. Hoje estima-se que 150 garças passem a estação no parque, integrando assim mais uma atração para o local, já bem vívido, graças às dezenas de espécies de plantas e animais que abriga. Prova de que o Centenário é um verdadeiro santuário verde para a fauna e flora do município.

“Elas são muito queridas pelos visitantes, parece que já se acostumaram e gostam daqui”, comenta João dos Santos, que há seis anos trabalha diariamente no Centenário, como um dos administradores. “Elas não são agressivas e se interessam muito pelos peixes daqui”, acrescenta ao lembrar que antigamente o espaço era ocupado por um pesqueiro. Para João, o mais interessante nesta história é que “o número de garças tem aumentado a cada ano”. Ele explica que elas costumam vir em dezembro e partem para outras margens do Tietê em março. “Incluíram o Centenário no roteiro delas, algumas até decidiram morar aqui”, completa.

O resultado da escolha é uma paisagem que agrada os olhos. A pequena ilha é desenhada por vários pontos brancos, já que as garças a transformaram em um ninhal, onde passaram a viver e entram e saem em busca de alimento para os pequenos. Logo, passam a acompanhar os primeiros voos das crias. No cenário bucólico, cabe ainda o contorno dado pela vegetação e o torii – um portão tradicional japonês que simboliza a passagem do mundano para o sagrado.

Segundo o administrador, o parque não interfere na rotina delas, mas presta atendimentos, caso sejam necessários. “Se houver algum problema de saúde, por exemplo, como uma perna ferida, nós chamamos um veterinário”, garante.

“Pode parecer pouco, mas é algo que deixa nosso passeio melhor”, diz a auxiliar de enfermagem, Débora Silva, que utiliza o grande espaço para caminhar, ainda ao amanhecer. “Sempre tiro fotos e esta semana devo trazer minha filha pequena para um piquenique , para ver as garças de perto”, completa.

O sentimento também é compartilhado por Marcos Henrique, que corre e pratica outras atividades esportivas no parque. “Espero que as garças continuem vindo e que se multipliquem; são uma atração a parte”, descreve ele.

As garças não são as únicas espécies de aves visíveis no céu do Centenário. Segundo João, há ao menos 30 pássaros diferentes por lá, como os quero-queros, sabiás, saíras, jacus, socós, corujas e joões-de-barro. “Aqui é um grande santuário para a vida animal, é um espaço importante para a cidade”, reforça o administrador. Por conta desta pluralidade de espécies, o Centenário recebe os adeptos da observação de pássaros, em especial nas manhãs dos domingos.

NA ILHA Pontos brancos em meio ao verde das árvores: são as garças que escolheram o Parque Centenário para se reproduzir durante a atual temporada de verão no município (Foto: Fábio Palodette)

História

Inserido na Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, o Parque Centenário completará 12 anos em 2020. A Guarda Municipal de Mogi estima que o espaço receba cerca de 7 mil visitantes durante os finais de semana, enquanto 10 mil pessoas vão ao local em eventos. O funcionamento acontece diariamente, das 7 às 18 horas. O endereço é avenida Francisco Rodrigues Filho, s/nº, em César de Souza.

O projeto +Mogi Ecotietê prevê investimentos no Parque Centenário, porém ainda não há muitos detalhes disponíveis sobre como a verba será destinada ao espaço.

O eixo socioambiental do programa de obras prevê ainda a construção de dois novos parques na cidade, que futuramente serão localizados na rua Antônio de Almeida e na avenida Francisco Rodrigues Filho, além da ampliação do Centenário e da recuperação das áreas verdes próximas ao rio Tietê. O investimento total será de R$ 14,5 milhões.

Rio Tietê atrai as aves para a região de Mogi

O lento bater de asas, intercalado aos planeios curtos, caracteriza o voo das garças. A espécie é encontrada em todo território brasileiro. Na região, o animal é visto principalmente nas proximidades do rio Tietê.

Como visto no Centenário, elas vivem aos bandos. Frequentam rios, lagoas, charcos, praias marítimas ou manguezais de pouca salinidade. Em Mogi encontram um banquete, já que se alimentam principalmente de peixes, sapos e outros animais aquáticos, encontrados em abundância nas áreas de preservação ambiental.

Algumas garças, como a vaqueira, se alimentam de insetos e não possuem relação com ambientes aquáticos. As espécies vistas por aqui têm tamanhos diferentes, mas são consideradas pequenas.

A garça está sempre bem limpa, pois suas penas possuem uma textura que impede que a sujeira fique grudada, mostrando-se, portanto muito brancas. (F.P.)


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