EDITORIAL

Nos detalhes, o perigo

É benéfica para a cidade a descentralização dos parques

Bonito, bem localizado e gratuito, o Parque Centenário costuma ser bem avaliado pelo público, mesmo em seus momentos mais difíceis como aconteceu quando perdeu referenciais (as pontes, o antigo barco de madeira que lembrava a chegada dos primeiros imigrantes japoneses) e os desconfortos pontuais, como a falta de vagas para o estacionamento que obriga uma grande parte das pessoas a deixar os veículos estacionados na Avenida Francisco Rodrigues Filho em dias mais movimentados.

É um caso de amor justificado pelo prazer proporcionado pelas caminhadas por entre as alamedas e lagos, e o desfrute da convivência familiar e social em um equipamento com atrativos naturais, além de quadras esportivas, churrasqueiras de uso coletivo, etc.

Essas vivências compensam os pontos desfavoráveis, sobretudo em feriados, sábados e domingos. Porém, o parque abre de segunda a segunda. E está nesse detalhe, o nosso alerta ao governo municipal. Deixar o lugar sem lanchonete durante um ano é muito tempo.

O perigo mora nos detalhes. Nos finais de semana, o lugar está lotado de vendedores cadastrados porque a movimentação de pessoas é maior. Porém, as opções para o público acabam durante a semana, quando muitas pessoas que estão de folga do trabalho nesses dias vão ao Centenário. Pesa no currículo do parque falta de uma lanchonete para um lanche, uma água de coco, cadeiras e mesas para atender crianças e idosos.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente parece ter acordado depois de quatro licitações sem interessados e aventa mudanças nas bases da licitação para despertar interesse pelo negócio. Essa é uma falha aparentemente não muito grave. Mas, quando se olha para o segundo parque com características semelhantes e também na várzea do Rio Tietê, todos os sinais de alerta se acendem. É por falta de cuidados administrativos que o Parque Leon Feffer não decola – mesmo estando em uma das áreas mais populosas da cidade, Braz Cubas, e dispondo de belezas naturais que, sem conservação e manutenção, são desconsideradas pelo visitante.

É um desperdício vê-lo com pouco público. É benéfica para a cidade a descentralização dos parques. Para atender a população mais perto de casa, e também exercer o controle do uso dos recursos naturais que eles possuem. Até aqui, no entanto, o zelo com o Leon Feffer não sensibiliza o bastante os gestores públicos municipais. O mesmo não se vê, aliás, com o próprio Botyra Camorim Gatti, ao lado da Prefeitura. É uma pena.