MOGI DE A A Z

Nós éramos assim

Preciosa a foto que me enviou, há 10 anos, o xará Francisco José Witzel. Garimpada entre os alfarrábios de seu avô Francisco Ferreira Lopes, ela é um retrato de corpo inteiro de nossa gente há mais de 100 anos. Foi tirada, segundo a anotação do próprio Chico Lopes, no dia 15 de novembro de 1910, em Sabaúna. Não há outros detalhes do evento, apesar da evidência de ato solene: ainda que em um matagal, todos os senhores estão paramentados. Como o coronel Souza Franco, prefeito em exercício, de sobretudo e gravata borboleta e o professor Gabriel Pereira, de capa, segurando um guarda-chuva com a mão esquerda. Também o coronel Joaquim “Quinzinho” de Mello Freire, de colete, calça clara e polaina. Todos na primeira fila. Chico Lopes, muito jovem, está na quarta fila, de terno claro, na direção do meninote vestido de marinheiro e braços cruzados. Também foram a Sabaúna, nesse dia e estão na foto, o maestro João Baptista Julião, Galdino Pinheiro Franco e Firmino Ladeira. Ainda na foto o único médico que então clinicava em Mogi das Cruzes, o dr. Álvaro de Souza Sanches e o vice-prefeito José Augusto Ferraz.

Confirma a festividade a presença de músicos do que deveria ser a Corporação Musical Luso-Brasileira, fundada nesse ano e presidida por João Murta: há um rapaz com pratos à esquerda e um homem com tuba, à direita. E outras constatações a demonstrar os costumes da época: as poucas mulheres presentes, todas de branco, postam-se nas últimas filas.

As fontes locais de pesquisa formal não fazem referência àquilo que poderia ter ocorrido em Sabaúna no 21º aniversário da proclamação da república brasileira. Nesse mesmo dia, no Rio de Janeiro, então Capital Federal, Hermes da Fonseca assumiu a Presidência da República como o sexto no cargo, substituindo Nilo Peçanha. Em 1910, por aqui, a grande notícia foi a constituição da Sociedade Industrial Mogiana, com capital de 130 mil contos de réis, 70% dos quais deveriam ser subscritos em prestações por moradores da Cidade. A empresa resultaria na Mogitex, que vingou até a década de 1960 na Rua Major Pinheiro Franco.