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Novo motor tricilíndrico de 1.0 litro é destaque no Fiat Mobi

O Mobi nunca foi um “best”seller” por causa do visual controverso e do primeiro motor que foi lançado (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Um dos motivos que impediram que o Fiat Mobi se tornasse um “best seller” foi o motor. Na época do lançamento, a única opção era o veterano motor 1.0 8V de 73/75 cavalos e torque de 9,5/9,9 kgfm com gasolina/etanol – o mesmo que, desde a virada do século, moveu as versões básicas do Palio e do Uno. Sete meses após a estreia do modelo, o moderno motor tricilíndrico 1.0 Firefly, com potência de 72/77 cavalos e torque de 10,4/10,9 kgfm com gasolina/etanol, chegou à versão Drive, todavia, o impacto do lançamento já havia passado. Se o Mobi tivesse sido lançado já com o motor Firefly, talvez sua trajetória fosse diferente.
O motor 1.0 tricilíndrico consegue mover os 945 quilos da versão Drive do Mobi com certa agilidade. O comportamento é notavelmente mais “esperto” que os das configurações equipadas com o veterano motor de quatro cilindros. O Mobi Drive responde mais rapidamente às solicitações feitas sobre o pedal direito quando os giros do motor são elevados. Contudo, como a proposta do Mobi é explicitamente urbana, reações mais contidas fazem parte do contexto. Retomadas um pouco mais vigorosas demandam reduções de marchas para que se atinja o torque máximo, que aparece pouco acima das 3.000 rpm.

Com a motorização tricilíndrica, o subcompacto da Fiat ficou muito mais esperto que com o antigo propulsor (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

A direção elétrica facilita a vida e torna a condução muito menos cansativa no “anda e para” do trânsito urbano. A direção tem o peso corrreto e a função City reduz os esforços para manobras em baixas velocidades. O câmbio do Mobi é um tanto “mole” e poderia ser mais preciso nos engates. A suspensão é macia e privilegia o conforto, dentro do padrão da Fiat. Se o motorista não abusar do pedal do acelerador, o carrinho faz bem curvas. Quando se acelera um pouco mais nos trechos sinuosos, as rolagens de carroceria são perceptíveis. Para quem tem garagens apertadas, uma “praga” comum nos prédios modernos, o tamanho do Mobi é uma vantagem: é um carrinho fácil de colocar em qualquer vaga.
Outra questão controversa que acompanha o Mobi desde o lançamento diz respeito à estética. Na estreia do subcompacto, a Fiat destacou o design como um dos pontos altos. Contudo, ao contrário do Uno, cujo estilo “round square” transmite inegável jovialidade, ou do Argo, com seu aspecto vigoroso e esportivo, tipicamente italiano, a aparência do Mobi não obteve um impacto tão positivo. Na dianteira, faróis e lanternas são grandes e formam um conjunto de aparência quase rústica, singular em modelos desse porte. Na traseira, lanternas um tanto hiperdimensionadas emolduram a tampa do porta-malas feita em vidro preto – recurso usual em eletrodomésticos, mas que ainda causa estranheza em automóveis.

Versão Drive é a mais equipada do Mobi e custa R$ 44.990 com câmbio manual ou em R$ 47.590 com o automatizado (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

As portas do Mobi até têm uma abertura ampla, mas a altura da porta traseira, mais baixa em virtude do caimento do teto, dificulta o acesso. Falta espaço no habitáculo, principalmente para os ocupantes do banco traseiro. Na dianteira, pessoas mais corpulentas podem se sentir um pouco oprimidas. Levar três passageiros atrás pode até ser possível, porém é um má ideia. Além disso, pessoas com mais de 1,75 metro no banco traseiro já raspam a cabeça no teto e os espaços para as pernas também são exíguos.
A versão 1.0 Drive é a mais equipada da linha Mobi e começa em R$ 44.990 com transmissão manual ou em R$ 47.590 com o câmbio automatizado GSR. Entre os itens de série mais relevantes da versão estão o banco traseiro rebatível com duas posições para o encosto, comando interno de abertura do porta-malas e da tampa do tanque de combustível, computador de bordo, retrovisores externos com comando interno mecânico, vidros elétricos dianteiros “one touch”, travas elétricas nas quatro portas e volante com regulagem de altura.

O Fiat Mobi oferece kits opcionais que aumentam o conforto e, evidentemente, o valor do carro (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Os opcionais são disponibilizados por meio de kits. O Kit Tech custa R$ 4.060 e inclui chave canivete com telecomando para abertura e fechamento das portas e dos vidros, faróis de neblina, alarme antifurto, sensor de estacionamento traseiro, banco do motorista com regulagem de altura, console de teto com espelho auxiliar, personalização interna, rodas de liga leve de 14 polegadas e pneus com baixa resistência a rolagem 175/65 R14, retrovisores externos elétricos com sistema “tilt down” mais setas de direção integradas e banco traseiro bipartido. Há também o Kit Connect, que custa R$ 1.650 e incorpora rádio Connect, volante multifuncional com comandos de mídia/telefone e quadro de instrumentos em TFT com computador de bordo. Já o Kit Live On consiste em sistema de conectividade via Bluetooth com rádio e aplicativo para smartphones com sistema IOS e Android – inclui volante com comandos do rádio/telefone, suporte retrátil e entrada USB para carregamento, predisposição para rádio, quadro de instrumentos em TFT com computador de bordo. Custa R$ 1.650.
Um quesito no qual o Mobi Drive está bem é o consumo. Segundo os números do Inmetro para o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, a versão Drive do Mobi percorre 9,6 km/l na cidade e 11,3 km/l na estrada com etanol e 13,7 km/l na cidade e 16,1 km/l na estrada com gasolina, o que lhe garantiu um B na Comparação Relativa na Categoria e um A na Comparação Absoluta Geral. (Luiz Humberto Pereira/AutoMotrix)

Ficha técnica
Fiat Mobi Drive 1.0 Firefly manual

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³, três cilindros em linha, duas válvulas por cilindro. Injeção multiponto e acelerador eletrônico.
Transmissão: Manual de 5 marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência: 72/77 cv com gasolina/etanol a 6.250 rpm.
Torque: 10,4/10,9 kgfm com gasolina/etanol a 3.250 rpm.
Diâmetro e curso: 70,0 mm x 64,9 mm. Taxa de compressão: 13,2:1.
Suspensão: McPherson com rodas independentes, braços oscilantes inferiores, amortecedores hidráulicos e telescópicos de duplo efeito e mola helicoidal. Traseira com eixo de torção com rodas semi independentes, amortecedores hidráulicos e telescópicos de duplo efeito e mola helicoidal.
Pneus: 175/65 R14.
Freios: Discos sólidos na frente e tambores atrás. Freios ABS com EBD. Não oferece controle eletrônico de tração.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,57 metros de comprimento, 1,63 m de largura, 1,50 m de altura e 2,30 m de distância entre-eixos. Airbags frontais.
Peso: 945 kg
Capacidade do porta-malas: 215 litros.
Tanque de combustível: 47 litros.
Produção: Betim, Minas Gerais.