LANÇAMENTO

Novo Volvo XC40 chega ao Brasil para incomodar concorrência

O XC40 é o SUV compacto da Volvo, que traz design atraente, boa motorização e excelente acabamento (Foto Eduardo Rocha/AutoPress)

Não é de hoje que, a cada geração, os modelos recebem mais conteúdos, ficam maiores e ganham motores mais potentes. Acontece que quando uma marca encorpa seu menor modelo, ela abre espaço para que surja um novo carro no segmento logo abaixo. Nesta história cabem variados carros de diversas marcas. Inclusive o Volvo XC40. O novo SUV da marca sueca chega agora ao Brasil para ocupar exatamente o espaço deixado pelo XC60, que cresceu bastante na sua primeira mudança de geração, ano passado.
A ideia é colocar o XC40 para brigar com BMW X1, Audi Q3 e Mercedes-Benz GLA. E os preços não deixam dúvidas para este posicionamento. O novo modelo da Volvo começa em R$ 194.950 da T5 Momentum e vai até os R$ 214.950 da top T5 R-Design. A versão de entrada T4, que vai custar R$ 169.950, só começa a ser vendida em julho. Os rivais trabalham na faixa entre R$ 154 mil e R$ 233 mil.

Com design característico da Volvo, o XC40 chega inicialmente em duas versões, de R$ 195 mil e R$ 215 mil (Foto Eduardo Rocha/AutoPress)

Seguindo uma antiga tradição da marca, o XC40 se mostra forte na questão de segurança ativa. Até mesmo na versão básica estarão presentes recursos como airbags frontais, laterais e de cortina, faróis full LED, alerta e frenagem automática na iminência de uma colisão, alerta de mudança de faixa e de invasão da faixa no sentido oposto com interferência na direção, controles de estabilidade, tração e em declive e aclive.
Outros conteúdos interessantes estão presentes em toda a linha. Desde o T4, o painel de instrumentos é uma tela digital com 12,3 polegadas. O sistema multimídia tem tela central sensível ao toque de nove polegadas com sistema de som de 80 watts, comando de voz, conexão Bluetooth e integração com Apple CarPlay e Android Auto.
O sistema de apoio ao cliente, Volvo on Call, está incluído durante os dois anos de garantia – ou quatro, se o comprador contratar uma extensão -, assim como banco do motorista com ajustes elétricos, controle de cruzeiro e sensores de obstáculos traseiros, de chuva e de luminosidade. A versão T4 recebe o mesmo motor 2.0 turbo das versões T5, mas configurado para render 190 cv de potência com 30,6 kgfm de torque. O câmbio também é sempre o automático de oito velocidades.

Nas versões já à venda, o XC40 recebe motor 2.0 litros turbo de 252 cv de potência e tração nas quatro rodas sob demanda (Foto Eduardo Rocha/AutoPress)

Na versão T5 Momentum e R-Design, a potência do motor 2.0 turbo sobe para 252 cv, com torque de 35,7 kgfm, e a tração passa a ser nas quatro rodas sob demanda. Normalmente, a distribuição da força do motor é 90% na frente e 10% atrás, mas o sistema é capaz de transferir até 50% do torque para a traseira. Na versão T5 Momentum entram também equipamentos como sistema de áudio com 250 watts, carregamento de smartphone por indução, ar-condicionado de duas zonas, chave presencial para travas e ignição, ajuste do modo de condução, câmara de ré e retrovisores antiofuscantes.
Na R-Design, a potência do som vai a 600 watts, o sistema multimídia inclui GPS coordenado com sistema de leitura de placas, assento com ajuste elétrico para o passageiro, farol autodirecional, farol de neblina em LED, comutador automático do farol alto, comandos no volante para trocas de marcha, sensor de obstáculos dianteiro, tampa do porta-malas automática com sensor de movimento e teto panorâmico automático.

Perto dos concorrentes alemães, o sueco XC40 dá uma “surra” no quesito acabamento, com materiais de alta qualidade (Foto Divulgação)

Foi para esta versão que a Volvo reservou os sistemas de condução semiautônomas, como o controle de velocidade de cruzeiro adaptativo com Pilot Assist e o stop and go, que monitora e acompanha todo o trânsito no entorno do carro, considerado pela Volvo nível 3 em termos de condução autônoma, onde 5 é completamente autônomo.
O XC40 T5 se vale da tração integral para evitar a elevação da frente nas arrancadas, comuns em carros de tração dianteira. O velocímetro sobe rapidamente. Segundo a marca, o zero a 100 km/l é cumprido em apenas 6,4 segundos. O câmbio de oito marchas tem um escalonamento fechado, sem buracos, mas por vezes demora a interpretar as intenções do motorista quando a pressão no acelerador se altera, como em uma retomada. De qualquer forma, não há sensação de falta de potência e os 252 cv do motor 2.0 turbo lidam muito bem com os quase 1.800 quilos do modelo completo.
Dirigir o novo SUV da Volvo impõe um certo nível de diálogo com o carro quando os sistemas de condução semiautônoma estão acionados. Controles de faixa e de invasão da faixa contrária exigem que todos os movimentos sejam sinalizados, o que não é muito usual no trânsito brasileiro. O alerta de colisão desestimula motoristas pilotos que gostam de andar “colados” no carro da frente, podendo inclusive acionar automaticamente os freios na iminência de uma colisão. (Eduardo Rocha/AutoPress)

Ponto a ponto – Volvo XC40 T5 R-Design

Desempenho – Na versão T5, os 252 cv dão conta com facilidade dos quase 1.800 quilos do XC40. O turbo faz com que o torque de 35,7 kfgm apareça na totalidade já aos 1.800 giros e o câmbio de oito marchas tem um escalonamento bem fechado, fazendo que se perca muito pouco vigor nas trocas. Segundo a Volvo, o zero a 100 km/h é feito em bons 6,4 segundos e a máxima é de 230 km/h. Nota 8
Estabilidade – A altura avantajada do XC40 interfere bem pouco na estabilidade da carroceria. O conjunto suspensivo segura bem os movimentos da carroceria e o ajuste de amortecimento é bem ao estilo europeu, mais rígido. Isso pode até incomodar um pouco ao rodar em trechos mais esburacados, mas deixa o carro sempre na mão, com o volante com o peso correto. E ainda conta com tração integral, o que melhora bastante o comportamento dinâmico do modelo. Nota 8
Interatividade – O novo SUV da Volvo está bem atualizado neste aspecto. Tanto pelas funções de entretenimento, com conexão com smartphones via cabo ou Bluetooth, quanto pelos recursos de direção semiautônoma, no caso da versão T5 R-Design. Falta, porém, recursos úteis e comuns nos modelos europeus, como sensores de ponto cego e de tráfego cruzado, que ampliariam a segurança. A tela vertical no console central é bem ampla e facilita o acesso aos diversos comandos, com ar-condicionado, áudio e GPS. Nota 9
Consumo – O mesmo motor no XC60, avaliado pelo InMetro, mostrou um consumo razoável de 8 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada. Como o XC40 é cerca de 50 quilos mais leve, é de se esperar uma boa melhora. Mas no teste, sem abusos e feito na maior parte em estrada, o computador de bordo acusou média de 8,5 km/h. Nota 7
Conforto – A versão testada, T5 R-Design, traz recursos comuns, mas todos muito eficientes. Ajustes elétricos dos bancos, ar condicionado de duas zonas potente, som de alto nível, teto panorâmico e bancos com uma ergonomia perfeita e bastante macios, que compensam parcialmente a rigidez da suspensão. O isolamento acústico reforça a ideia de solidez e luxo do XC40. Nota 8
Tecnologia – O XC40 traz equipamentos de segurança reservado pelas marcas premium apenas para categorias superiores, como os sistemas de condução semiautônoma “stop and go” e controle de velocidade adaptativo. O modelo estreia plataforma de arquitetura modular compacta, a primeira produzida sob o comando da Gelly, marca chinesa controladora da Volvo. O sistema de entretenimento e conectividade é o que se espera de um carro recém-lançado. Nota 8
Habitabilidade – O interior do XC40 oferece um espaço interno muito bom. Os 4,42 metros de comprimentos e os 2,70 metros de entre-eixos são muito bem aproveitados, com muita área para as pernas, mesmo na seção traseira. Apenas o encosto do banco traseiro é excessivamente verticalizado, como acontece em picapes de cabine dupla, e não há ajuste de reclinação. Talvez para garantir o bom espaço de carga, de 460 litros. No mais, a altura do modelo, de 1,65 metro, oferece bom espaço para a cabeça e o teto panorâmico amplia ainda mais a sensação de espaço. Nota 9
Acabamento – É neste quesito que a Volvo afirma sua condição de marca de luxo. Segundo a filosofia da empresa, os materiais são genuínos. Em outras palavras: se alguma coisa parece madeira ou couro, é madeira ou couro de verdade, uma alfinetada nas marcas alemãs que costumam usar “couro ecológico”, que é um tipo de plástico. E o padrão de montagem e detalhamento no interior do XC40 é realmente luxuoso, com uma mistura bem dosada de materiais e revestimentos agradáveis ao toque e aos olhos. Nota 9
Design – O XC40 consegue ter um visual com muita personalidade. Ou seja: não se trata de uma miniatura do XC60 ou do XC90. Há alguns pontos de parentesco com os modelos maiores, como os conjuntos óticos – o martelo de Thor no farol e a lanterna que sobe pela coluna traseira – mas não há como confundi-los. A frente alta e de corte abrupto, com a grade côncava e a linha de cintura também alta, finalizando em um forte ângulo na base da coluna traseira, dão um visual esportivo e muito robusto. Nota 10
Custo/Benefício – No universo que a Volvo quer frequentar, que é o mercado de luxo, o XC40 leva vantagem sobre rivais como Audi Q3, BMW X1 e Mercedes-Benz GLA. Oferece acabamento de melhor qualidade, mais recursos eletrônicos e maior potência na mesma faixa de preço. Mas não é um modelo acessível quando confrontado com equivalentes em tamanho e conteúdo de marcas generalistas. Nota 6
Total – O Volvo XC40 obteve 82 de 100 pontos possíveis.

Ficha técnica
Volvo XC40 T5 R-Design

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.969 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando com variação contínua de abertura das válvulas, turbo compessor e intercooler. Acelerador eletrônico e injeção direta de combustível. Transmissão: Automático de oito marchas à frente e uma a ré. Tração integral. Oferece controle eletrônico de tração.
Direção: Elétrica com controle de faixa e esterçamento automático em caso de invasão da faixa contrária.
Potência máxima: 252 cv a 5.500 rpm.
Aceleração 0-100 km/h: 6,4 segundos.
Velocidade máxima: 230 km/h.
Torque máximo: 35,7 kgfm a 1.800 rpm.
Diâmetro e curso: 82 mm X 93 mm. Taxa de compressão: 10,8:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora. Traseira multilink. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 245/45 R20.
Freios: Discos ventilados na frente e atrás. ABS com EBD. Assistência de partida em aclives e declives e frenagem automática em caso de emergência.
Carroceria: Utilitário esportivo compacto em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,30 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,59 m de altura e 2,61 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina série.
Peso: 1.762 kg.
Capacidade do porta-malas: 460 litros.
Tanque de combustível: 54 litros.
Produção: Ghent, na Bélgica.
Lançamento mundial: Novembro de 2017.
Lançamento no Brasil: Abril de 2018.
Preço da versão: R$ 214.950.