EDITORIAL

Novos tempos

Na primeira entrevista após assumir a direção do Fórum de Mogi das Cruzes, a juíza Ana Carmem de Souza Silva aponta alguns caminhos que pretende seguir para tratar questões administrativas e internas que afetam o andamento dos mais de 150 mil processos das varas Cível (16 mil), Criminal (40 mil) e da Fazenda (95 mil).

Todas as pessoas – vítimas, réus, advogados e familiares de quem possui uma pendência na Justiça têm a vida suspensa e são afetadas pela demora na restauração de um direito violado.

Mais do que produzir uma primeira impressão positiva, ao reconhecer pendências e tratar abertamente sobre o deficit de juízes e a necessidade de se ampliar e criar serviços como a Vara da Violência Doméstica e o Juizado Especial Criminal (Jecrim), a diretora acena que pode ir muito além do que já se fez em defesa da estrutura judiciária local.

Esse posicionamento rompe antigo hábito que felizmente está mudando: ao falar franca e diretamente com a comunidade, alguns jovens magistrados agem contra o distanciamento entre a figura do juiz e o povo, a sociedade. Eles estão se aproximando das pessoas, inclusive no linguajar nas sentenças e júris, e também ao defender causas sociais e locais.

Na entrevista a este jornal, nota-se isso quando a juíza fala sobre os desafios no controle da violência doméstica e defende o tratamento psicológico para mulheres e agressores, como a melhor resposta para coibir os crimes; ou quando opina sobre os altos custos da figura do juiz de garantia, diante do vale de problemas financeiros dos fóruns brasileiros.

Ela também não se eximiu de comentar sobre a presença de um mogiano na presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo, o desembargador Geraldo Pinheiro Franco, e disse que espera que ele volte os olhos para a cidade e tem o interesse de levar a ele os pedidos de Mogi.

Por fim, a juíza Ana Carmem deu resposta cirúrgica a um fato histórico na cidade, que não passa imperceptível no contexto da luta pela igualdade de tratamento e oportunidades entre os sexos: “É natural que a diretoria do Fórum, uma hora fosse exercida por uma mulher”. Deu, de maneira sutil, um recado para uma questão tão atual.


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