CULTURA

Núcleo de Cultura Ousadia comemora 15 anos

GRAVADO EM CASA Além de divulgar dados históricos da trajetória da trupe, os posts mostram, a partir deste domingo, a interpretação de algumas cenas dos espetáculos produzidos ao longo dos anos. (Fotos: divulgação)

“Era uma vez… uma professora de história nada normal, e um professor de matemática nada comum, que juntos a uma turma de alunos, em um trabalho de escola, montaram uma peça teatral. Eles gostaram tanto que criaram um grupo”. Este é o início da trajetória do Núcleo de Cultura Ousadia, que completa 15 anos de atividades neste mês de maio. Para comemorar a data, a companhia decidiu compartilhar trechos da caminhada do grupo, além de cenas de peças produzidas ao longo dos anos.

A professora é Erika Cassia Capella e o professor Gilberto Pereira Paulo. À época, em 2005, assim como hoje, eles lecionavam na Escola Estadual Washington Luís. A diferença é que ainda não eram casados, mas decidiram fazer um trabalho interdisciplinar criando uma peça teatral.

“Na verdade, a ideia foi dele, e eu ajudei a realizar o projeto”, esclarece Erika, que viu a iniciativa se transformar num coletivo teatral, mais tarde numa associação cultural sem fins lucrativos e, mais recente, numa escola de artes, no Centro de Mogi das Cruzes.

Dia 10 de maio é o dia exato para comemorar o aniversário do Ousadia. Antes da pandemia, o plano era fazer uma grande celebração no Centro Cultural, no próximo dia 14. “Faríamos uma grande festa lá, com exposição de alguns momentos históricos e encenação ao vivo de pequenas esquetes retiradas de cada uma de nossas produções”, conta Erika, triste em não poder cumprir com o cronograma.

Diante do isolamento social, uma das perguntas que ela se fez, além de questionar o futuro financeiro da companhia, foi “como posso fazer isso via redes sociais?”. A resposta veio dos mais jovens, em especial a atriz Mariana Pozza e seu namorado, o estudante de comunicação social Ian Pietro.

“Conversando com eles, pensamos assim: desde o dia 1º até 9 de maio, eu daria subsídios de informações da parte histórica do Ousadia, com dados, fotografias e recortes de jornais, para que eles montassem pequenas postagens para contar tudo isso de forma rápida”, explica Erika.

No Instagram, o perfil @ousadia.arte, conta, além do vídeo que explica como tudo começou, parafraseado no início desta reportagem, há outros materiais. Um deles convida o internauta a olhar para a ‘Sala Jorge Amaro’, que homenageia o já falecido artista plástico definido como “grande amigo do grupo”, responsável por produzir uma das mascotes da companhia, a manequim Jorgete, que aparece nas fotos do post.

Uma das publicações mais interessantes é a que pergunta “Você sabe como começou o Sarau Ousadia?”, já que cada passagem histórica é acompanhada por um comentário divertido de uma caveira, outra das mascotes, que segue ainda sem nome.

Vídeos

A partir deste domingo, dia 10, os recortes históricos darão lugar a cenas das principais peças produzidas pelo Núcleo de Cultura Ousadia. Serão escolhidos momentos de 15 montagens teatrais, uma por ano, começando com ‘Morte e Vida Severina’, de 2005.

O interessante é que não se trata de um resgate de filmagens e gravações antigas. Erika entrou em contato com os atores envolvidos nos espetáculos, e pediu para que eles improvisassem, recriando as encenações com figurino e cenário caseiros.

A ideia remonta à pandemia enfrentada por todo o mundo, cuja principal recomendação, além de manter hábitos saudáveis de higiene, é não sair de casa. “Entrei em contato com os atores, pessoas que não via há um tempão, e pedi para que fizessem as cenas, gravando-as com o ceular na horizontal no quarto, no corredor, no banheiro, no quintal, com uma pequena parte da fala dos personagens”.

Apesar de parecer simples, a coordenadora do grupo afirma que as filmagens têm gerado um “trabalho mais psicológico do que braçal”, porque muitas das pessoas contatadas apresentam sintomas do novo coronavírus, e portanto, estão indispostas para atuar.

O dia da última publicação será 24 de maio, que corresponderá ao ano de 2020. Como os trabalhos – até agora, pelo menos- foram interrompidos, deve ser publicada “uma mensagem de agradecimento, falando sobre a importância de ficar em casa, de se cuidar, de continuar apoiando a arte e de não abandonar o artista”.

Grupo fará vaquinha virtual para continuar ativo

Em 2019, grandes redutos da arte mogiana fecharam. Em especial, o Galpão Arthur Netto e o Casarão da Mariquinha. Por outro lado, no início de 2020 novos espaços surgiram, como a Escola de Artes Ousadia e o Espaço Terra de Almofadas. Em um cenário cultural já marcado por incertezas, a pandemia do novo coronavírus trouxe ainda mais dúvidas sobre a manutenção das casas e endereços hoje existentes.

Um dos pontos que acaba de fechar as portas é a sede do Teatro da Neura, em Suzano. Em apoio aos colegas, o Ousadia publicou um comunicado: “Infelizmente esse é mais um espaço de arte na região que fecha as portas pela falta de incentivo e investimento, motivos esses que em meio a uma pandemia tem um impacto ainda pior nos artistas. Mesmo assim seguimos em frente unindo forças para manter a arte viva em nossa cidade e região”.

Com exclusividade a O Diário, a gestora da companhia, Erika Cassia Capella, confirma que uma das medidas por eles implementadas para continuar existindo será a criação de uma campanha de financiamento coletivo, uma vaquinha online, pelo Facebook. Em breve detalhes serão divulgados nos perfis oficial do Núcleo de Cultura Ousadia nas redes sociais.


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