BALANÇO

Número de devedores em Mogi cai em meio a quarentena, aponta SCPC

RESTRIÇÃO Com a maioria das lojas fechadas, as vendas tiveram queda mesmo com a volta de mais pessoas nas ruas da cidade. (Foto: Fábio Aguiar)

Os dados divulgados pela Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) sobre o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) mostram números melhores neste primeiro quadrimestre do ano em relação a 2019. A comparação, entretanto, não é legítima, tendo em vista que em todo o Brasil, em decorrência da pandemia do novo coronavírus, o movimento no comércio caiu em 20%, o que não foi diferente na cidade. No ano passado, o período contava com 15.061 negativados, com queda de 8,04% agora, indo a 13.941 devedores.

“No SCPC, os dados que temos são indicadores do movimento do comércio em consulta na base de informações que temos para quando o consumidor vai fazer compras a crédito, o estabelecimento conseguir mensurar se é viável fazer a venda. Com as restrições de funcionamento das lojas e, consequentemente, a queda nas vendas, as pessoas estão fazendo menos dívidas e, por isso, temos menos inclusões neste registro”, salienta o diretor do SCPC e vice-presidente da ACMC, Silvio José de Moraes.

Comparando os quadrimestres dos dois anos houve uma redução de 20,5% nas inclusões e diminuição de 33,9% nas exclusões. Até o mês passado, os débitos em aberto era 18.015, 7,23% a menos do que em 2019, quando eram 19.317. Já o valor total da dívida teve um aumento de 0,33%, indo de R$ 13.468 milhões para R$ 13.513 milhões.

Os indicadores aparentemente positivos, porém, isso não significa que as pessoas que compraram nos quatro primeiros meses deste ano estão pagando mais em dia do que em 2019. Na avaliação de Moraes este é somente mais um reflexo pela queda nas vendas no comércio presencial.

“Além de não significar uma melhoria, temos o número de exclusões que caiu. Ou seja, menos pessoas estão quitando suas dívidas. E isso é uma comparação justa de se fazer entre este ano e 2019, porque mostra, de fato, que a economia não está indo bem. Se as pessoas não estão pagando é pelo fato de não terem dinheiro para isso. O pagamento pode ser feito virtualmente, então isso não depende das lojas estarem ou não abertas”, ressalta o presidente.

Uma medida foi adotada pelo SCPC de Mogi para tentar minimizar os impactos negativos para o consumidor durante a pandemia. Desde o dia 17 de abril o prazo para a inscrição no serviço foi ampliado. Antes, a partir do dia da compra, o nome poderia ser negativado em até 20 dias. Agora, esse tempo mudou para 45 dias, o que deve acontecer até setembro ou por mais tempo, dependendo de como for tratado o decreto de quarentena.

Um dos grandes impactos ainda a serem mensurados diz respeito ao aumento dos índices de desemprego e de retração do mercado informal, além, da redução dos salários imposta por diversos setores que permaneceram em atividade remota. Além da quarentena, pesa, segundo os analistas, o sentimento de incerteza sobre quando o isolamento social será de fato abrandado para a retomada das atividades de todo o comércio.

Valores

Em média, as dívidas dos consumidores de Mogi das Cruzes estão por volta dos R$ 500, valor que Moraes acredita ser viável de que seja pago em momentos de maior estabilidade. O preço total das dívidas dos mogianos, inclusive, vinha abaixando nos últimos anos, diferente do que aconteceu desta vez, de acordo com os números atualizados.

As consultas de débitos normalmente são disponibilizadas no Balcão de Atendimento do SCPC, que funciona na sede da Associação Comercial. Ali, o consumidor é orientado sobre como proceder de forma segura. Neste período de pandemia, em que a ACMC permanece fechada para o atendimento ao público, as consultas podem ser feitas por meio eletrônico no site www.consumidorpositivo.com.br e para dúvidas também estão disponíveis os telefones 4728-4308 e 4728-4309.

ACMC defende abertura com segurança

Preocupados com a crise econômica, lojistas têm solicitado às autoridades, desde que a quarentena foi decretada, a permissão para que os estabelecimentos sejam reabertos. Por outro lado, o distanciamento social é uma das maneiras mais eficientes de conter a propagação do novo coronavírus. A Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) tem, então, buscado alternativas junto à Prefeitura e defende que as vendas sejam feitas de uma maneira que sigam as normas sanitárias.

Vice-presidente da entidade e presidente do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), Silvio José de Moraes, explica que o momento exige prudência, mas que a entidade tem tentado encontrar a melhor maneira para que todos sejam beneficiados. Para isso, lembra que é importante respeitar o decreto, mas acredita que outros setores possam ser incluídos como essenciais.

“Ainda assim nós temos reiterado pelos nossos canais a importância do uso de máscaras, de evitar filas, de comprar o que puder pelo telefone ou digitalmente. Outra orientação que damos é que os consumidores deem prioridade para as compras no comércio local, porque é isso que vai fazer com que a nossa economia volte a girar. Então, incentivamos que comprem no próprio bairro, o que evita até uma movimentação maior pela cidade”, diz.

Moraes ressalta ainda que caso uma permissão para a abertura das lojas aconteça, ela seria feita dentro de padrões de segurança, com a intenção de proteger os consumidores e também os funcionários. Enquanto as portas continuam fechadas, ele lembra que é importante que os comerciantes invistam nas vendas online, já que hoje existem muitas ferramentas que facilitam a prática.


Deixe seu comentário