ANÁLISE

Número de óbitos por causas gerais diminui em junho, em Mogi das Cruzes

MUDANÇA Registros dos cartórios civis confirmam a redução de mortes por pneumonia, causas naturais ou acidentes, o que pode ser atribuído aos cuidados maiores com a saúde, segundo o médico Carlos Eduardo Amaral Gennari. (Foto: arquivo)
MUDANÇA Registros dos cartórios civis confirmam a redução de mortes por pneumonia, causas naturais ou acidentes, o que pode ser atribuído aos cuidados maiores com a saúde, segundo o médico Carlos Eduardo Amaral Gennari. (Foto: arquivo)

Embora o mês de junho tenha sido o maior com registros de mortes pela Covid-19 desde o início da pandemia do novo coronavírus em Mogi das Cruzes, com 117 registros no total, o saldo geral de mortes na cidade, considerando todas as causas, teve leve queda, quando comparado o mesmo mês de 2019. Houve uma redução de 374 para 367, ou seja, sete falecimentos, segundo os números divulgados no Portal da Transparência com base nos dados dos cartórios de registros naturais, que diferente dos registros da Covid-19 no município, considera o local em que a morte aconteceu e não a cidade em que a vítima morava.

A redução dessas mortes pode ser explicada matematicamente – à medida que aumentaram as mortes por Covid-19, os registros de vítimas fatais por outras doenças diminuíram no mês. Entre os exemplos, as doenças respiratórias se destacam: os registros de pneumonia reduziram de 135 para 59. A insuficiência respiratória caiu de 64 para 31, septicemia de 40 para 32 casos. Já nas demais mortes, que envolvem o restante de causas naturais ou acidentais, houve uma redução de 135 para 128. Por fim, os registros de mortes nos cartórios de Mogi das Cruzes, foi de 374 em junho de 2019 e 367 no mesmo mês deste ano.

Já a explicação médica do ginecologista e cirurgião, Carlos Amaral Genari, é a de que o novo coronavírus está circulando há um bom tempo e provocando quadros respiratórios graves, como as pneumonias. Porém, ao invés da causa da morte ser a pneumonia ou a insuficiência respiratória, passou a ser a Covid-19, uma doença nova, ou ainda a gripe, provocada pelo vírus influenza, e que também apresentam esses problemas.

“Tem muitas pessoas que talvez estejam em casa por outro tipo de doença, mas pertencem ao grupo de risco, e, por isso mesmo, estão se cuidando mais. O pneumopata que não saindo de casa tem menos chance de contrair um vírus, talvez o diabético e o hipertenso, em casa, se cuidam melhor. Eu acredito que tem essas outras explicações e não apenas, por exemplo, a redução das mortes violentas que caíram, até porque Mogi não tem indicadores tão violentos. Neste período, até mesmo os abortos clandestinos, mortes em cirurgias eletivas, e outros, são fatores que devem ter contribuído para essa redução. Me parece que, no Brasil, tivemos uma redução de 800 mortes diárias por outros motivos”, pontuou. O isolamento reduziu a exposição das pessoas a riscos de saúde.

O Portal da Transparência detalha que, na declaração de óbito, as causas de morte são declaradas na Parte I (linhas a, b, c, d), sendo que a causa mencionada na última linha será a causa básica selecionada como causa da morte, de acordo com as regras da CID-10, quando a sequência de causas informada pelo médico tiver sido preenchida corretamente. Na Parte II são registradas outras causas ou condições significativas que podem ter contribuído para a morte. No levantamento, além da Covid-19 declarada na declaração de óbito como causa suspeita ou confirmada, procurou-se também avaliar outras causas relacionadas à doença por coronavírus.

Nesta terça-feira (14), foi o dia final para que os cartórios informassem os óbitos lavrados no mês de junho.


Deixe seu comentário