EDITORIAL

O apelo da Apae

Entidade busca voluntários para fortalecer o atendimento aos 600 alunos

Em busca de mais 50 pessoas para ampliar o quadro formado por 114 voluntários, a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) veio a público pedir ajuda para manter a obra social que atende 649 estudantes diariamente.

Uma boa carteira de voluntários fortalece as entidades sociais porque elas passam a ter mais fôlego para diversificar a atuação. Nesse momento, o voluntariado tem papel vital. Os serviços sociais foram duramente afetadas pela crise econômica. Além dos subsídios públicos, Apae e outras organizações semelhantes vivem de doações financeiras e eventos beneficentes. Sem essa composição, verbas públicas e privadas, elas podem até sobreviver, mas perdem qualidade e resolutividade.

Pesa ainda nessa conta outra característica enfrentada pelo terceiro setor com o passar das gerações e a profissionalização do atendimento.

Ao contrário do passado, quando voluntários dispendiam horas e horas – às vezes, uma vida inteira dedicada a determinadas organizações sociais (hospitais, creches e a própria Apare) – as entidades constatam o distanciamento dos mais novos dessas obras.

Grande ganho, sem dúvida, a profissionalização impôs o alto custo da folha de pagamento dos trabalhadores, recursos materiais, etc. Resultado disso, aliás, foi o fechamento de asilos e creches mantidas por tradicionais instituições religiosas que se guiavam pela mão de obra voluntária.

Desde a fundação, a Apae mudou a vida de milhares de pais, mães, familiares e pessoas portadoras de deficiência intelectual e motora.

Foi criada por um conceito que fez toda diferença no decorrer de sua história, e está sendo novamente sendo invocado na busca de voluntários: a decisão e a organização de um grupo de pessoas motivadas pela solidariedade, o interesse de ver o outro também crescer.

Há 50 anos, pais de filhos que precisavam do atendimento especializado para se desenvolverem e serem incluídos socialmente decidiram dar a outras crianças de Mogi das Cruzes a mesma oportunidade coma fundação da Apae. Tanto deu certo que a entidade se transformou em escola e referência no desenvolvimento e aprendizado de seus frequentadores.

Para ser voluntário, basta ter mais de 18 anos e duas horas disponíveis. Para conhecer a Apae, vale uma visita agendada ao local. A entidade abre suas contas e gastos no site. Uma outra forma de dar transparência ao que realiza e de reforçar o tamanho da obra ali desenvolvida pelos 154 funcionários e os pais de seus mais de 600 alunos.

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