EDITORIAL

O apelo dos ciclistas

Após oito anos, as ciclofaixas são as mesmas, e os problemas, idem

Oportuna a cobrança feita pelo leitor Mauricio Pacheco de Souza sobre a paralisia dos projetos de melhoria e expansão de ciclofaixas e ciclorrotas de Mogi das Cruzes, em nossa seção de Cartas, na edição de ontem.

Nada mudou após oito anos do abaixo-assinado protocolado por Souza na Prefeitura, com 800 adesões, solicitando segurança e a ampliação das ciclofaixas. Quase uma década depois, a tendência do uso da bicicleta se consolida entre uma boa parte das pessoas. Cresce o número de atletas amadores (caminhantes, corredores e ciclistas) ou não, que usam a bicicleta. A parcela da população que busca o bem-estar e saúde ganha mais membros porque a crise econômica obrigou mais pessoas a pedalar para cruzar distâncias e economizar

Os 26 quilômetros da rota viária de Mogi das Cruzes não foram ampliados, e apresentam problemas, apesar do indicativo de pesquisas e planos de mobilidade urbana, como o de Mogi das Cruzes, revisado em 2017, e tão importante quanto, o comportamento das populações que vivem nas cidades apontar para a expansão do ciclismo como meio de transporte mais barato e eficiente.

As faixas – nem tão exclusivas assim – estão nas avenidas Francisco Rodrigues Filho, Governador Adhemar de Barros, Pedro Romero e Engenheiro Miguel Gemma. Elas carecem de cuidados, como a divisão para o compartilhamento entre os ciclistas e os caminhantes e corredores, e a melhoria da qualidade do piso.

Nesse assunto, o poder público e a sociedade têm outro grande desafio: criar meios de melhorar e regrar a convivência entre motorista e ciclistas. Em junho, a morte de um ciclista de 40 anos na Avenida Narciso Yague Guimarães, em frente ao prédio da Prefeitura, expôs esse drama. O ciclista morreu após bater em um trator que passava entre 17 e 18 horas em uma via de grande movimentação.

O trator poderia passar por ali? Que tipo de ação pode apaziguar o trânsito e dar a segurança do ciclista e do pedestre?

Nem vamos falar aqui de algo impopular (para o olhar do motorista) que seria a redução da velocidade máxima porque, nesse dia do acidente fatal para mais um ciclista, o excesso de veículos mantinha o tráfego lento. A morte desse ciclista cria o argumento certeiro, descrito pelo nosso leitor: “o atropelamento do ciclista, na Praça do Socorro (13/06), não pode ser visto como uma fatalidade, ou imprudência, e sim como uma tragédia anunciada”.