O atentado de Juiz de Fora

Em 27 de fevereiro de 1933, o prédio do Parlamento alemão, em Berlim, foi destruído por um incêndio. Algumas semanas antes, Adolf Hitler havia sido empossado como chanceler da Alemanha com a intenção declarada de implantar o regime nazista no país. Hitler e seus comparsas acreditavam que todos os males da Alemanha eram provocados por três segmentos sociais: os judeus, os comunistas e os maçons. Quanto aos comunistas, foi providencial para ele a prisão de um sujeito chamado Marinus van der Lubbe, membro do Partido Comunista alemão, que depois de convenientemente “interrogado” pela polícia nazista, confessou ter ateado fogo no prédio do Parlamento.

Os nazistas se aproveitaram para colocar os comunistas em campos de concentração. Mais tarde, o próprio Herman Goering, segundo homem do Partido Nazista, confessaria terem sido eles que botaram fogo no Reichstag. Mas nessa altura, Hitler era o supremo poder na Alemanha e a confissão só gerou elogios e admiração no espírito dos alemães. Mais tarde, já como ditador, Hitler voltaria as baterias contra os judeus e o resultado é uma das páginas mais sinistras que alguém já escreveu nos livros da História. Quanto aos maçons, muitos foram parar nos campos de concentração, embora boa parte dos líderes nazistas fossem maçons ou pertencessem à alguma organização do gênero. Não raro, crimes são praticados por pessoas desequilibradas aproveitadas por políticos sem caráter para darem curso a seus propósitos.

Foi o caso do atentado perpetrado pelo estudante sérvio Gavrilo Princip, que deu início à Primeira Guerra Mundial. Mais próximo de nós temos o caso do assassinato do governador da Paraíba, João Pessoa, cometido pelo advogado João Duarte Dantas, e estopim da Revolução Constitucionalista de 1932. Mais tarde, tivemos o atentado da Rua Toneleiro, em 5 de agosto de 1954, quando o jornalista e político Carlos Lacerda foi atacado a tiros por integrantes da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas, episódio que contribuiria para o desenlace trágico do governo Vargas, que terminou pelo seu suicídio.

Não há como sobreviver em uma sociedade democrática e livre sem os políticos. Por isso chamamos a atenção para o atentado de Juiz de Fora, em que o candidato Jair Bolsonaro foi esfaqueado. Que ninguém venha a utilizar esse ato para fins políticos. Há quem diga que Bolsonaro é maçom. Se é verdade ou não, ninguém sabe. Só posso dizer que se fosse, ele não passou de aprendiz.

João Analino Rodrigues é escritor