EDITORIAL

O bom presente

O melhor exemplo do mutirão japonês, para nós, brasileiros, foi dado durante a Copa do Mundo

Nas últimas horas do ano 458 para Mogi das Cruzes, a cidade viveu pela primeira vez o Oosouji, tradição militar japonesa repetida na véspera do Ano Novo que reúne os integrantes de uma família, os trabalhadores de uma fábrica, os moradores de uma comunidade ou os estudantes de uma escola para uma grande faxina dos espaços comuns.

O melhor exemplo do mutirão japonês para nós, brasileiros, foi dado durante a Copa do Mundo de 2014, toda vez que a Seleção do Japão entrava em campo. Ao final das partidas, os torcedores japoneses, em mutirão, retiravam toda sujeira deixada nas arquibancadas e atravessavam as escadarias com grandes sacos de lixo, enquanto os demais já não estavam mais nos estádios.

Além da limpeza em si, esse costume tem outro sentido, o de unir as pessoas em um mesmo espírito, o da cooperação, que produz resultados pessoais e sociais. Um trabalho coletivo não pesa apenas para uma parte das pessoas, como os trabalhadores da limpeza pública ou da jardinagem, ou o poder público.

O Revitaliba Mogi foi um presente de aniversário de muitos símbolos. organizado pela comunidade japonesa na figura da JCI Brasil-Japão, o Consulado do Japão no Brasil e o Bunkyo. Mas, quem atuou nas praças com as próprias mãos e o desejo de deixar a cidade mais limpa foram os 300 voluntários ligados ou não à entidade cultural que trata das relações entre os brasileiros e japoneses.

Algumas praças e áreas de uso comum foram varridas, jardins tratados e pisos e bancos receberam cuidados.

Fica um belo exemplo, vivenciado em uma data em que os moradores de Mogi, de alguma maneira, se sentem mais cúmplices e responsáveis pelo que acontece de bom e de ruim no território onde vivem.

Estádio de futebol, salas de cinema e shows, terminais de ônibus e de trens, praças e outros locais públicos são o grande teste de civilidade e de educação nas cidades. Esse é um exame desafiador para todas os municípios que usam boa parte de seus recursos públicos na limpeza pública. Quanto mais os governos gastam para varrer e limpar a sujeira deixada pelos cidadãos, menos dinheiro vai para a educação e a saúde.

O Japão levou milênios para forjar o bom exemplo que chegou pronto a Mogi. Foi apenas um dia de faxina em uma enxuto número de praças, mas valeram, e muito, a iniciativa e a pronta resposta dada pelos 300 voluntários que desejam ver a cidade mais limpa e bem cuidada. A comprovação é: há muita gente interessada em fazer de Mogi uma cidade melhor.

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