ARTIGO

O Carnaval acabou e a economia não decolou

Claudio Costa

Infelizmente nosso Carnaval acabou e a atividade econômica ainda não decolou e, como consequência, milhares de empregos deixaram de ser gerados. Justificativas não faltam e algumas até aceitáveis, como o caso do coronavírus, mas não podemos continuar neste ambiente de instabilidade. O governo apostou na retomada econômica através do estímulo ao consumo, liberando parte do FGTS, PiS, etc; no período de Black Friday e Natal, houve um certo otimismo, mas não foram suficientes para manter a retomada.

Alguns economistas são firmes em afirmar que se colocássemos estes recursos na retomada e obras de infraestrutura, com certeza, o cenário seria diferente com geração de melhores empregos e renda para grande parte da população e a movimentação de setores agregados, tais como cimento, máquinas, equipamentos, entre outros.

O foco da equipe econômica continua sendo as reformas, agora: a Administrativa e a Tributaria. É inquestionável essa necessidade, mas precisamos gerar melhor qualidade dos empregos, necessários para recompor a renda do trabalhador, incluindo classe média, que foi muito prejudicada nos últimos anos. Nos últimos 12 meses, 40% dos empregos gerados são de jornada inferior a 30 horas semanais e com salário médio inferior a 1000 reais. Assim fica difícil!

Com o dólar em alta, sem dúvida, a renda do trabalhador voltará a cair e talvez valha a pena o governo abrir mão de uma parte das reservas cambiais, em torno de 400 bilhões de dólares e injetar na economia para, de vez, fomentar a atividade econômica do país.

Claudio Costa é economista e diretor de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Mogi das Cruzes


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