EDITORIAL

O drama das mães

Uma vez por ano, em geral, em janeiro, a superlotação da UTI Neonatal e da maternidade da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes determina a restrição do recebimento de gestantes. Esse é o mais antigo e crônico problema do sistema público regional: o estado fecha as portas para uma parcela da população que continuará deserdado do pleno acesso à saúde na infância, na juventude, na maturidade e na velhice.

Sem leitos para atender a todos, a Santa Casa e a Prefeitura optaram mais uma vez pelo contingenciamento do serviço de maneira preventiva. O excesso de pacientes abre caminho para graves problemas como a infecção hospitalar. Mortes de recém-nascidos por este motivo pesam no passado do hospital e da gestão municipal.

A medida previne outras tragédias familiares e chama a atenção para o caos na saúde regional.

Após janeiro, a restrição do atendimento sai dos holofotes. E o problema cai no colo das mães e pais à espera de um filho. São as famílias, sem plano de saúde, em especial, as grandes vítimas da incúria do estado e do desmonte dos hospitais públicos.

Também são vítimas desse sistema precário, os profissionais médicos, enfermeiros, etc., que vivem o estresse de receber quem está chegando ao mundo em condições inadequadas.

Enquanto a Santa Casa não for ampliada e a segunda maternidade do Hospital Municipal de Braz Cubas estiver sendo construída, nada mudará. Nem mesmo a abertura de leitos da UTI pediátrica do Hospital Regional de Ferraz fará diferença concreta diante do deficit para gestantes e bebê que precisam de cuidados intensivos. É um quadro desalentador.


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