REFLEXÃO

O espírito natalino é feito de amor e solidariedade, diz o Padre Marcos Sulivan

ANÁLISE Religioso lamenta que o individualismo impere logo depois do início de janeiro, encobrindo sentimentos vividos no Natal. (Foto: divulgação)

Para o reitor do Santuário Bom Jesus, padre Marcos Sulivan, “o amor, a solidariedade ao próximo e a reflexão sobre a vida” são algumas das características mais marcantes do espírito natalino. No entanto, ele acredita que, devido ao materialismo, rancor, ódio e falta de perdão, a sociedade está mais preocupada com o “ter” e o “ser” do que com a verdadeira celebração do Natal.

Para o religioso, esta época do ano permite que o homem “perceba as coisas mais importantes que ele tem”. Isso quer dizer que é tempo de refletir, observar a vida e “renovar os propósitos para que não percamos a direção num mundo tão agitado, tão barulhento”.

MUDANÇAS Marcos Sulivan vê com esperança resposta a tragédias. (Foto: divulgação)

Ou seja, mais importante do que a troca de presentes, deve ser considerado o “momento da confraternização, do perdão”. Mas não adianta “revestir-se de luz” nos dias finais do ano e depois deixar de lado os valores do amor. Para tanto, Sulivan faz um apelo: “é importante que esse espírito natalino seja renovado durante todo o ano”.

Na visão do padre, um ano costuma começar “muito bom e muito bonito”, já que as pessoas estão comprometidas com o próximo. Mas ele observa “que quando acaba janeiro, as luzes do natal se apagam e voltam todos cada um para seu próprio individualismo”.

Consequência disso são as doações e atividades sociais, que diminuem drasticamente assim que o novo ciclo começa. “Deveria ser um ato constante na nossa vida, mas acontece que as pessoas querem agradar o próprio ego e iniciam, nos dias finais, práticas que deveriam funcionar durante todo o ano”, diz.

O que poderia ser feito, então, para expandir o sentimento natalino? A resposta é curta, porém Sulivan acredita que seja eficaz: “ações entre a igreja e sociedade”. Mas ele mesmo reconhece que é, na verdade, uma responsabilidade de todos, ou seja, dos religiosos, dos empresários, do poder público e dos cidadãos.

A formação de padre e também a experiência dele, que nasceu em São Paulo, descobriu que queria ser padre aos 11 anos e veio para Mogi das Cruzes em 2016, o levam a crer que a união de todos “poderia tornar o mundo melhor”.

Essa esperança é baseada, segundo Sulivan, em fatos. Para exemplificar, cita o rompimento da barragem em Brumadinho, quando muitos mogianos “colocaram o materialismo de lado” e fizeram doações para os necessitados. E, com pesar, lembra do massacre da Escola Estadual Professor Raul Brasil, na vizinha Suzano, frisando que muitos, “religiosos ou não, estavam em oração, pedindo pelo conforto daquelas famílias, buscando alguma forma de fazer com que o sofrimento passasse”.

Evangélicos divergem sobre data, mas festejam

FAMÍLIA Miraides visitará as filhas que moram no exterior. (Foto: divulgação)

As igrejas evangélicas da cidade se dividem nessa questão da comemoração do Natal. Muitas delas passam a data praticamente em branco, por divergirem sobre a data de nascimento de Jesus Cristo. Mesmo assim, não há proibições quanto às comemorações. Algumas instalam árvores de Natal templo, fazem cantatas e corais, se reúnem com suas famílias, promovem a ceia, trocam presentes e festejam o dia 25 de dezembro.

Uma que não comemora o nascimento do menino Jesus nesta época é a igreja evangélica Shalon. De acordo com o pastor José Miraides Penha, que comanda o templo, localizado em um prédio no Largo do Rosário, na área central da cidade, isso acontece porque existe uma divergência com relação a data de nascimento de Cristo.

O pastor disse que na verdade “ninguém sabe ao certo quando Jesus nasceu”. Ele alega que não existe uma confirmação exata de que Jesus nasceu em dezembro, já que há muitas evidências de que ele poderia ter nascido em março.

Porém, Miraides explica que para evitar conflitos sobre essa questão ficou convencionado que esse dia seria comemorado em 25 dezembro pela maioria das igrejas, especialmente a católica.

No caso da Shalon, melhor do que esta data convencionada para o nascimento, é a comemoração do renascimento de Cristo. “Para a nossa igreja, a Páscoa é mais importante do que o Natal, porque que representa a morte e a ressurreição de Jesus”, enfatiza.

Ele observa que essa questão da comemoração do Natal em dezembro divide opiniões. Mas, reforça, no entanto, que as igrejas têm liberdade para decidir se querem ou não festejar a data do dia 25 de dezembro.

“Ninguém é contra essa comemoração, apesar de que é preciso ter o pé no chão, porque na verdade esta é uma data cada vez mais comercial. Mas, mesmo assim, as igrejas têm liberdade para escolher se querem ou não comemorar o natal em 25 de dezembro”, comenta.

Apesar de a Shalon não oficializar as comemorações, o próprio pastor Miraídes Penha vai aproveitar essa data de fim de ano, que envolve o Natal e o Ano Novo para viajar e encontrar com suas duas filhas que moram no exterior. Uma delas na Suécia e a outra na Virgínia, Estados Unidos, local onde a data é comemorada tradicionalmente pelas famílias, que tem uma dedicação especial para manter esse espírito de paz e amor entre as pessoas.


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