EDITORIAL

O fim dos orelhões

Nas cidades com mais de 300 mil habitantes, os telefones de uso público vão desaparecer primeiro. Assim como se viu com o recuo no uso dos telefones residenciais, os orelhões estão com os dias contatos por causa da popularização do sistema móvel. A velocidade será medida pelo crescimento econômico e a expansão do sistema móvel. É o fim de uma era. As cidades e usuários enfrentam, há algum tempo, os percalços típicos de períodos de transição de modelos de grande impacto público. Nesse caso, leia-se o desmonte da estrutura existente.

Os poucos equipamentos encontrados em praças e pontos de maior concentração de pessoas, como as proximidades de escolas, hospitais e outros serviços de saúde e de transporte urbano, atendem uma pequena parcela da população. Tão pequena que a venda de cartões telefônicos se tornou desinteressante para o comércio. Por isso, muitos deles seguem mudos.

Em vigor desde o ano passado, o Plano Geral de Metas para Universalização do Serviço de Telefonia prevê a substitução dos telefones públicos por antenas de 4G nas cidades que não possuem o serviço, e derrubou antigas obrigatoriedades como a manutenção de um orelhão a cada 300 metros, e o funcionamento de quatro orelhões para cada mil habitantes.

Os orelhões continuarão ativados em cidades com menos de 300 mil habitantes (caso, na região do Alto Tietê, de Biritiba Mirim, Salesópolis, Guararema, Poá, Arujá, Ferraz de Vasconcelos e até Suzano, que, com 290 mil habitantes, está muito próxima de sair desse rol).

Nesses municípios, as empresas de telefonia são obrigadas a mantê-los em ordem mesmo diante da queda nos índices de utilização.

A medida federal obriga a substituição dos telefones públicos por antenas de tecnologia 4G para universabilizar e melhorar a rede de comunicação sem fio e a banda larga.

O declínio dos orelhões decorre do avanço dos uso dos celulares e de outros meios de comunicação.

Às cidades, caberá atenção no acompanhamento desse processo para que não sejam prejudicados a parcela de moradores, ainda excluídos das novas tecnologias, e muito menos o mobiliário urbano.

A concessionária Vivo, a antiga Telefônica, responsável pelos telefones públicos, deve mantê-los em ordem. Questionada em abril por este jornal, a empresa não disponibilizou nem mesmo o número de aparelhos existentes na cidade. Mas indicou, claro, a redução do uso dessa opção porque possui os dados do faturamento.

Da pressão à empresa responsável dependerá a maneira como essa transição se dará. Orelhões sem uso atrapalham a passagem dos pedestres e servem ao que há de pior nas ruas, o vandalismo e à marginalidade.

O Diário

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