EDITORIAL

O futuro do Casarão

O tombamento definitivo do Casarão dos Duque como patrimônio histórico municipal é um capítulo importante, mas não decisivo, para a proteção desse registro arquitetônico do século passado, localizado na rua Dr. Deodato Wertheimer, no Mogi Moderno.

Por decisão do prefeito Marcus Melo, o decreto assinado na tarde de sexta-feira é uma tentativa de sensibilizar os atuais donos do imóvel sobre a importância de preservá-lo no projeto imobiliário planejado pela empresa Soto Engenharia para a propriedade. Ocorre que somente isso, como todos bem sabem, não inibe a destruição do patrimônio histórico.

Nesse caso, os proprietários têm a intenção de derrubar o casarão e não reconhecem o lugar como um patrimônio histórico. Pelo que se viu até aqui, os empreendedores devem seguir defendendo o direito de fazerem o que quiserem na propriedade.

Instrumento legal para a defesa do patrimônio, o tombamento nem sempre garante a integridade das construções de interesse para a preservação. Em Mogi das Cruzes, casarios reconhecidamente integrantes acervo histórico e arquitetônico são mantidos fechados e sem uso – e vão de se deteriorando aos poucos, até caírem no chão.

Fator positivo é o entendimento demonstrado pelo prefeito à causa preservacionista. Porém, será preciso mais. O tombamento dará fôlego ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico (Comphap) e argumentos para ações, por exemplo, no Ministério Público.

Os proprietários poderão se abrigar em recursos judiciais, e as condições do casario pioraram muito nos últimos meses. Com parte do telhado arriado, paredes com buracos e a falta de cobertura contra a chuva, o tempo gasto com toda essa burocracia determinará o futuro dessa história. Um primeiro passo a ser conferido nas próximas semanas é a possibilidade de, agora, os técnicos do Comphap terem como entrar no prédio para avaliar o tamanho do desgaste sofrido recentemente. Essa luta está ainda no começo.


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