EDITORIAL

O futuro do lixo

A coletiva seletiva em Mogi das Cruzes completa 15 anos. É um sistema relativamente novo, quando se olha para o passado. Somente em 2004, a cidade conseguiu acabar com o lixão da Volta Fria, que recebia por dia 20 toneladas dos detritos produzidos pelos mogianos. Ali, nos é forçoso lembrar, crianças, adultos e idosos viveram durante anos dos materiais, roupas, comida e outros dejetos acumulados em montanhas de lixo.

Por uma imposição do Ministério Público, a Prefeitura desativou o lixão da Volta Fria, localizado ao lado do Rio Tietê, em uma área, portanto, de preservação ambiental, e terceirizou a coleta do lixo, abrindo uma nova fase na destinação final dos resíduos domésticos e urbanos.

Passada uma década e meia, o sistema operacional busca um modelo ideal, com a redução da produção do lixo doméstico e a reciclagem de produtos que podem ser reutilizados para minimizar o impacto ambiental.

Houve ajuste no sistema de coleta, mas ainda há flancos em aberto, como a melhoria do índice de reciclagem de lixo, hoje restrito a 5% de todos os resíduos produzidos pelos mogianos, como mostrou nossa reportagem de domingo último.

A Prefeitura tem ampliado os recursos para incentivar a separação do lixo, com os programas cata-tranqueira, que leva quatro meses para percorrer todos os bairros, e depois retornar novamente ao ponto inicial, e os ecopontos do Jardim Armênia, Jundiapeba e Parque Olímpico (esse último em reforma, e com previsão de reabertura em março).

Já se mensura alguns resultados do que tem sido feito nesses 15 anos, como a sistematização da coleta do lixo seco, na zona urbana, e o maior uso dos ecopontos, onde os materiais que mais são descartados são o entulho de obra, madeira e pneus.

Porém, ainda são muito frágeis os resultados efetivos na redução da produção e separação do lixo, que dependem de uma radical mudança na cultura de consumo das pessoas, e no combate a um mal urbano: os lixões clandestinos em pontos viciados.

Contra o descarte ilegal e criminoso, no caso do despejo de materiais em áreas de proteção ambiental, como rios e lagos, a Prefeitura começa a investir no monitoramento por câmeras para punir os infratores. Algo que precisa ser ampliado porque a prática é criminosa, e na maioria das vezes, é feita por empresas.

Mogi das Cruzes está longe de ter o modelo ideal, mas, dá alguns passos. A maioria das cidades brasileiras sequer começou a cuidar desse problema urbano diretamente ligado à qualidade de vida, ao controle de doenças, e etc.

É obrigação do gestor público, ordenar a destinação do lixo, mas o cidadão é quem está na linha de frente na produção e separação do lixo, e também no papel de cumpridor e fiscalizador do sistema.