EDITORIAL

O futuro é hoje

Meados do ano passado, a projeção do envelhecimento da população brasileira apontou que dentro de duas décadas, o número de pessoas com mais de 65 anos será maior do que o de crianças e jovens, de zero a 14 anos. Em 2060, a situação será a seguinte: 1 em cada 4 brasileiros será idoso.

Dados sobre as curvas etárias brasileiras costumam impactar por si. Mas, esse, em especial, revela uma mudança radical para a economia, o trabalho, a saúde dos brasileiros, em um período relativamente pequeno: 20 anos. E o que tem isso a ver com a nossa reportagem publicada ontem sobre a fila oficial de espera por um vaga nas instituições que acolhem aqueles que não tem mais condições de viver sozinhos ou com as famílias biológicas? Tudo. Em Mogi das Cruzes, e na maioria das cidades brasileiras, o futuro é hoje. Os setores de Assistência Social pelejam com uma conta que não fecha hoje, e sem perspectivas de fechar a curto prazo.

As políticas de atenção aos mais velhos mostra que algo começou a mudar em Mogi das Cruzes, com a manutenção de endereços específicos para a interatividade e atendimento aos cidadãos com mais de 65 anos, como o Pro-Hiper e o Centro Dia do Idoso. Uma pequena parte da população tem acesso a esses núcleos.

Mas nada que garanta a plena atenção a quem está nessa faixa etária no presente. A fila de espera por uma vaga nos asilos possui 30 pessoas, segundo Juraci Fernandes de Almeida, integrante do Conselho Municipal de Idoso.

De saída, a cidade precisa de 20 novos leitos para a integração com a rede formada pelo Instituto Pró+Vida, Casa São Vicente de Paulo e a Associação Manuel Maria – Estância Renascer. Nesses locais, estão 110 idosos.

E os esses outros 30, que esperam uma vaga? Alguns estão em situação de extrema vulnerabilidade porque ou moram sozinhos ou em famílias que possuem limitações, como outros integrantes também idosos e/ou adoentados.

Nem o estado e nem a população estão preparados para a convivência com os mais velhos, observa Juraci, que desde 2001 acompanha os bastidores do relacionamento institucional e familiares com os idosos em Mogi. Um forte exemplo é notado em hospitais particulares e públicos, onde médicos possuem dificuldades em dar alta para pacientes mais velhos, porque os familiares não têm condições financeiras e emocionais para recebê-los.

Dos governos e da sociedade brasileira, a nova composição etária – mais idosos, menos crianças e jovens, e a prevalência de pessoas a caminho da velhice – exigirá planejamento, investimentos e sensibilidade para legar ao cidadão um envelhecimento mais humano, honroso e ético.