EDITORIAL

O juramento de Hipócrates

Grata revelação na administração pública da Cidade, o biomédico e especialista em administração de sistemas de saúde pela Faculdade de Medicina da USP e pela Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Delascio Cusatis, deixou esta semana o cargo de secretário de Saúde da Prefeitura de Mogi das Cruzes. Responsável, há quatro anos, pela gestão de um orçamento superior a R$ 320 milhões/ano, ele fez das tripas coração. A expressão popular, usada quando uma pessoa supera os próprios limites, aplica-se bem a ele.

Vai ser difícil o prefeito Marcus Melo encontrar substituto à altura. A Secretaria Municipal de Saúde foi, desde sua criação, ocupada, preponderantemente, por médicos; alguns, com atividade exclusivamente ligada ao juramento de Hipócrates (“Juro por Apolo Médico, por Esculápio, por Hígia, por Panaceia e por todos os deuses e deusas que acato este juramento e que o procurarei cumprir com todas as minhas forças físicas e intelectuais. Honrarei o professor que me ensinar esta arte como os meus próprios pais; partilharei com ele os alimentos e auxiliá-lo-ei nas suas carências…”). Outros, que aliavam a prática profissional a projetos políticos pessoais.

Com Téo Cusatis inovou-se: o cumprimento do Juramento de Hipócrates ficou para aqueles que o assumiram, permitindo-se aos gestores do setor concentrar esforços no fortalecimento das condições para atendimento à população.

Os resultados não poderiam ter sido melhores: em toda a região Leste da Grande São Paulo, Mogi das Cruzes é reconhecida como a Cidade que melhor serviço de saúde presta a quem deve atendimento. Um termômetro disso nos fornece o reclameaqui.com.br, acreditado site sobre as relações de consumo: no período em que Cusatis respondeu pela pasta, foram apresentadas 6 queixas (1 das quais de morador de Suzano, que não foi atendido). Apenas no ano passado, foram prestadas em torno de 150 mil consultas em especialidades – um índice próximo a zero (exatos 0,004%).

Guardadas as proporções, o mesmo ocorreu quando da passagem (1998 a 2002) de José Serra pelo Ministério da Saúde. O político paulista, que enfrenta inúmeras denúncias de desvio ao longo da carreira, teve atuação exemplar nesse cargo. Nos legou a quebra célere das patentes de medicamentos e fez, do Brasil, exemplo na difusão dos remédios genéricos.