EDITORIAL

O lixo no Tietê

A poluição está presente em 120 dos 1.150 quilômetros do rio Tietê. Ele começa a morrer em Mogi das Cruzes. Já se passaram 40 anos desde a primeira parceria entre a prefeitura e o governo do Estado para o início do tratamento do esgoto com a construção de um interceptor deveria levar grande parte dos resíduos residenciais para a Estação de tratamento da Sabesp, em Suzano. Pouco foi feito para interligar as redes primárias de esgoto à esse canal e esse coletor-tronco e subutilizado.

Durante quase três décadas, a cidade não conseguiu ultrapassar a 1% do esgoto tratado, o que começou a mudar em 2008, com a inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto, a ETE de César de Souza, e outras ações de saneamento. Hoje, Mogi livra dos rios e córregos que deságuam no Tietê, 61% do esgoto gerado diariamente. Já se passaram outros 12 anos.

Despoluir um rio leva gerações. O Tamisa, em Londres, perdeu o apelido de “O grande mau cheiro” após 50 anos de investimentos em obras e tecnologia. E, para despoluir o cartão-postal londrino, dois barcos percorrem o manancial para retirar cerca de 30 toneladas por dia.

No sábado, O Diário mostrou quanta sujeira é jogada no rio Tietê: garrafas, plástico, madeira, sofás… Mogi é a primeira cidade que polui o rio.

As estações de tratamento, melhoria da coleta e tratamento, e outras ações devolvem a vida ao rio. Nossa reportagem demonstrou que a educação ambiental terá de melhorar – e muito – para que os investimentos públicos deem resultados. Essa sujeira vai parar no rio porque uma grande parte dos mogianos joga o lixo nas ruas, nos córregos, vive como no século passado, como se os danos ao meio ambiente não castigassem a saúde, o clima, a vida de todos.


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