ARTIGO

O lugar do pai na gravidez

Edgar W Santos

edgarwsantos@gmail.com

A Língua Portuguesa abriga uma infinidade de palavras bonitas para definir a paternidade, porém, a que sobressai não soa tão agradável. Ausência. Tanto é assim que o termo “pai presente” costuma ser verbalizado como um elogio ao homem. Perceba que não me refiro à negligência. Falo da ausência nem sempre intencional do pai, uma falta de presença considerada “normal” e, em certa medida, até estimulada.

A mãe é a protagonista na gestação. Em tese, nem precisaria de ajuda para dar à luz. Por outro lado, deixar-se acompanhar por uma rede de apoio na gravidez, por pessoas de sua confiança, favorece a vida. O pai pode ser uma delas. Talvez, a mais importante. Por que então muitos homens não assumem esse lugar? Qual a desculpa?

Ainda que o ambiente da gestação seja muito feminino e, tantas vezes, hostil ao masculino, cabe ao homem a responsabilidade de ocupar o seu lugar. Alguns engravidam com a parceira desde o azul no exame de farmácia. A maioria, ainda que composta por homens honrados, decentes, vivencia esse período tão presente quanto o morto em seu próprio velório. Ignoram que a verdadeira presença é física, intelectual, emocional e espiritual.

Sinto que muitos homens, apesar de bem-intencionados, carregam consigo uma sensação de insignificância. Julgam insignificantes e desimportantes aquelas pequenas grandes atitudes que poderiam cultivar. Não têm a menor consciência de que só um abraço, só uma palavra, só um silêncio, só uma opinião, só uma compreensão, só um aninhar, só um sorriso e tantos outros “sós” fazem toda a diferença na preciosa parceria entre pai e mãe.

Para a grávida, a vivência das dores e dos amores de parir é compulsória. Nem o aborto, espontâneo ou não, livra-as dessa desafiadora experiência. O grávido tem a possibilidade de se esquivar. Logo, a condição para que da fecundação surja um pai na gravidez é se conectar integralmente à mulher e ao bebê que virá.

O homem que ocupa o seu lugar se conecta forte e sensível para ajudar a parceira com a ajuda que ela realmente precisa dele, somente dele.

Edgar W Santos é escritor, terapeuta e palestrante.