EDITORIAL

O mapa da Covid-19

O mapeamento epidemiológico da Covid-19 mostra a pulverização dos casos nos bairros de Mogi das Cruzes, e sobretudo destaca a concentração em Jundiapeba – se somados os registros na área central do distrito e no conjunto de apartamentos populares conhecido como Nova Jundiapeba, apenas ali, 169 pessoas contraíram a doença desde o início de março. Esse total é mais do que o dobro do segundo bairro com mais confirmações, a Vila Oliveira.

Individualmente, Jundiapeba (67) libera o total de confirmações, seguida da Vila Oliveira (65). Quando se soma a performance do Socorro, na vizinhança da Vila Oliveira, a liderança de Jundiapeba persiste.

Desde março, a taxa de contaminação nessa região está à frente das demais na cidade. Nesse espaço mesmo, em abril, este jornal alertou sobre a necessidade de se carrear esforços nas políticas de prevenção em Jundiapeba. Entre os prováveis motivos para esse quadro estão o fato de as populações mais pobres continuarem trabalhando, utilizando o trem e circulando mais na quarentena, e terem menos acesso à informação qualificada.

Passados algumas semanas, o quadro não se alterou. Isso mostra as falhas no rastreamento da Covid-19 na cidade.

A busca ativa de focos da doença deveria ter sido feita por equipes da Secretaria Municipal de Saúde nos bairros mais afetados, logo no início dos casos, com o reforço da fiscalização ao cumprimento da quarentena.

Num cenário ideal, equipes de vigilância epidemiológica atuariam na identificação dos endereços que registram infectados para reduzir a curva de casos.

Localidades que apostaram no rastreamento, à falta de testes em massa, obtiveram melhores resultados na pandemia.

Outra percepção é a concentração dos pacientes em áreas mais populosas – o que reforça a necessidade do isolamento social e outras medidas, como o monitoramento da infecção nos hospitais, que são grandes focos do novo coronavírus.

O vírus se vale de descuido sanitário para se multiplicar. As novas ondas da Covid surgirão com o passar do tempo e o cansaço de todos com a pandemia, o que determina a afroxamento dos cuidados com a higiene pessoal, o uso das máscaras, etc.

Conhecer a situação epidemiológica dos bairros agora, e no futuro, garantirá às cidades resultados melhores na proteção das pessoas vulneráveis enquanto a vacina não chega.


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