EDITORIAL

O melhor de Mogi

O Brejinho de César é um capítulo de resistência contra a destruição ambiental

Ainda vítima de maus-tratos e crimes ambientais, alguns sinais de recuperação do Brejinho de César de Souza são medidos neste ano pela presença de pássaros e outras aves visitantes da área verde e alagadiça próxima do Distrito Industrial Alcides Celestino, na Avenida Presidente Castello Branco.

Mogi das Cruzes é um ponto da passagem de espécies que cruzam o centro-oeste brasileiro em direção aos estados do sul entre os meses de agosto, setembro e outubro. Esse ritual era esperado por observadores de pássaros e integrantes do grupo Amigos do Brejinho, formado no ano passado, justamente para defender o local dos crimes ambientais praticados por empresas e desconhecidos no território instalado em 370 mil m².

Além de queimadas, entre 2017 e 2018, o Brejinho de César foi alvo frequente de problemas como o despejo de lixo e, no mais grave dos casos, o derrame criminoso de óleo, punido com a aplicação de multas pelos técnicos da Regional da Cetesb (Companhia de Saneamento Ambiental).

Desde a descoberta dessa “estação” de passagem de animais ameaçados de extinção, como o bicudinho-do-brejo paulista, o que acontece nesse ecossistema passou a ser protegido por defensores ambientais e lideranças, como alguns vereadores, entre eles, Fernanda Moreno (PV).

A divulgação dos crimes e a pressão por mais fiscalização e a punição aos infratores podem ser responsáveis pela melhora das condições de vida para a fauna e flora. Também contam as condições climáticas impróprias para as queimadas garantidas pelas chuvas dos últimos meses.

Mesmo com a melhora das condições gerais do Brejinho, ainda há passivos ambientais, apontados pelo veterinário e observador de aves, Jefferson Renan de Araújo Leite aponta passivos ambientais. Nas águas, ainda há sinais de parte do óleo despejado ali. Focos de lixo clandestino foram flagrados por nossa reportagem.

O Brejinho de César de Souza é um capítulo de resistência na defesa de Mogi e contra a destruição ambiental com mais vitórias do que derrotas.

Este jornal faz questão de registrar, esse resultado se deve a um grupo de cidadãos, como os integrantes do “Amigos do Brejinho” e também dos poderes executivo, legislativo e judiciário, que resistem à atuação de alguns grupos poderosos e inescrupulosos que teimam em explorar as nossas reservas. Essas pessoas estão conseguindo reagir, ainda bem, antes de se consumar as perdas do capital ambiental que diferencia Mogi das Cruzes.

É por força da atuação comunitária que Mogi chega aos 459 anos de fundação com uma parte de seus patrimônios conservados e por isso mesmo atrai gente interessa em aqui viver.

O Brejinho de César é uma parte da mata ciliar do Rio Tietê, um dos corredores de conexão das serras do Itapeti e do Mar. Cuidar desse eixo é cuidar da vida futura de todos nos. Da fauna e flora preservadas, depende a qualidade do ar e da nossa água.