ARTIGO

O novo normal com velhos problemas

José Francisco Caseiro

ciesp@ciespaltotiete.com.br

Novo normal. Nos últimos meses com certeza já ouviu esse termo para classificar as mudanças de comportamento e de mercado impostas pela quarentena e para o que ainda virá no pós-pandemia.

No novo normal estão as compras pela internet, controle de acesso, rigor na higienização, home-office, videoconferências e restrições de contato. Muito do que era uma tendência para 10 anos virou realidade em 2020.

O ser humano tem uma capacidade impressionante de se adaptar a mudanças, o que é positivo nesse rearranjo “natural” provocado pela maior crise de saúde desde a gripe espanhola, em 1918.

A questão é que esse novo normal no Brasil se dá com velhos problemas, que dificultam essa adaptação. Um exemplo está na penúltima colocação no ranking da Competitividade Brasil 2019-2020, recém-apresentado pela Confederação Nacional das Indústrias. Na avaliação com 17 economias com características similiares, só ganhamos da Argentina.

O levantamento mostra que nos últimos 10 anos o Brasil melhorou o ambiente de negócios ao reduzir a burocracia e rever a legislação trabalhista. No entanto, seus maiores entraves continuam no financiamento, em especial com o custo de capital, e a tributação.

O Brasil é comparado com as economias da África do Sul, Argentina, Austrália, Canadá, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Índia, Indonésia, México, Peru, Polônia, Rússia, Tailândia e Turquia. E esses países ampliaram as vantagens competitivas acima de nós.

Os problemas – tributação e spread bancário – são velhos conhecidos. Portanto, o novo normal do custo Brasil só virá quando o dinheiro dos impostos arrecadados for distribuído entre os que pagaram, através de investimentos em educação, saúde, segurança, infraestrutura e outros setores determinantes em como uma nação vai se sair na crise.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê.


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