CHICO ORNELLAS

O Paraíso chama-se Baden Baden

Baden-Baden, a mais sofisticada cidade turística da Alemanha, guarda relíquias do período Mesolítico. (Foto: Arquivo Pessoal)

Você já ouviu falar em Baden-Baden? Perdoe-me a ignorância, mas eu nunca havia sequer desconfiado que pudesse existir. Até que, há muitos anos, fui parar lá. É quase fronteira entre Alemanha e França, ao lado de Strasbourg, às margens do Rio Murg, um afluente do Reno. Cidade de 50 mil habitantes fixos; outros 200 mil visitantes permanentes. Entre o século I e meados do III, os romanos viveram ali. Construíram termas que se tornaram famosas e deram a característica maior da cidade: é, desde então, uma localidade de lazer e alto turismo. Não adianta pretender compará-la às estâncias serranas brasileiras. É outra coisa. E que coisa!

A começar pelos aspectos históricos. Há indicações de ocupação da área no período Mesolítico, antes ainda da chegada dos romanos. Os ancestrais dos atuais alemães chegaram no Século III e destruíram boa parte das fortificações que encontraram. No final do Século XI concluíram as obras do Velho Castelo. Em 1479 acabaram a construção do Novo Palácio. Na Guerra dos 30 Anos (1618-1648) a cidade sofreu muito e, no Dia São Bartolomeu (24.8.1689), os soldados franceses de Luís XIV puseram a cidade abaixo. Durante a II Guerra Baden-Baden foi considerada zona ocupada até que, em 1950, voltou ao domínio alemão, que a reconstruiu por completo.

Um dos pontos de maior atração turística de Baden-Baden é o cassino, que foi construído a partir de 1790 em estilos Luís XIII e Luís XVI. É uma réplica, em tamanho reduzido, mas de luxo igual ao do Palácio de Versailles. A começar pelo Salão Branco, seguindo-se o Salão Vermelho, o Salão Pompadour, o Salão Verde. Ali joga-se a partir de 5 euros. O teto é infinito. Foi num desses salões, mesa de bacarah, que encontrei certa noite um Paulo Nogueira de olhos tristes. Na época editor da revista Veja, Paulo havia se arriscado na mesa e deixou por ali, em 40 minutos de jogo, algo próximo de 300 euros. Nenhuma fortuna para jogador contumaz, mas coisa de respeito para o grupo de jornalistas que se reuniram naquela viagem. De pronto sugeri a Rui Falcão, depois presidente do PT e na viagem editor da revista Exame, que fizéssemos uma vaquinha para bancar Paulo Nogueira, pelo menos até a recuperação do prejuízo. Vaquinha feita, Paulo trocou de mesa e foi para a de “21”. Em menos de 40 minutos recuperou tudo, pagou – com reembolso de 300% – a contribuição dos colegas e saiu do cassino para não mais voltar.

Encontramo-nos depois no balneário, chamado de “Augustabad”, construído entre 1060 e 1066 na mesma área onde os romanos tinham suas termas. As piscinas têm temperatura constante de 34°C e é possível, a pé, visitar as ruínas romanas.

Nas igrejas da cidade, imperdível o crucifixo entalhado em 1467 por Nikolaus Gerhaert von Leyden. De resto, se puder estar por lá não deixe de passear a pé pelas ruelas de Baden Baden. Em alguma praça você vai encontrar jogadores de xadrez em um tabuleiro gigante, com peças de um metro de altura. E veja também o teatro, suba no bondinho que vai à montanha em uma inclinação de 54%.

Mas, atenção: leve dinheiro, muito dinheiro. E não perca o vinho Riesling de Baden-Baden.

CARTA A UM AMIGO

Lição de casa – em 1929

Meu caro leitor

Encontro em meus guardados algo preservado por um parente. Era Ermelinda B. Arouche que legou o envelope ao filho Aécio. Coletânea de folhas já amareladas, sobre as quais um grupo de alunos, do segundo ano primário do Grupo Escolar de Mogy (com y mesmo), cumpriu a lição de casa que a professora Ermelinda lhes passou. Em 1929, faz 89 anos.

Aquela classe tinha fama de pouco comportada. Nada, é claro, comparado aos descalabros acerca dos quais se ouve hoje. Pois o castigo passado pela professora foi que eles escrevessem um texto detalhando o que haviam feito no dia anterior. Tudo porque, pela falta da titular, uma substituta foi cuidar dos alunos. Não deu conta, queixou-se à diretoria e, no dia seguinte, Ermelinda lhes passou a missão: escrever sobre “o que fiz hontem (com h mesmo).

O que você fez ontem (10.10.29)?

Moacyr Salustiano – “Hontem cheguei na classe e veiu a substituta. Com a substituta, eu conversei com o Gomes e elle comigo. Fiz problemas e eu acertei; depois dei leitura, fiz ditado, fui ao quadro, fiz algumas sentenças., apaguei a pedra, bebi bastante agua porque estava com sede”.

Nicola Sguilaro – “Hontem quando entrei na sala de aula e a substituta fez a chamada. Depois conversei na hora da leitura, mudei de lugar. E fui no quadro escrever sentenças.”

Mario Fioresi – “A professora veio e eu conversei muito. Eu pus caneta na cadeira. Mas eu não pus muita caneta. Eu vi o Raymundo bater na porta e elle foi de castigo. O Odair fez porcaria na gente. Eu sentei no chão mas não fiquei bastante.”

Natal Salemi – “Ontem cheguei ao grupo e a substituta. A professora deu chamada e começou a fazer dictado e problemas. Eu molhei a penna no tinteiro da professora. E tirei o paletó e fiquei de camisa. E o Odair brincou comigo. Boli na bolsa da professora.”

Francisco Salustiano – “Hontem quando vim para a classe pulei carteiras. Na hora dos problemas comecei a andar pela classe. Mudei de um lugar para outro. Trepei em cima da carteira. Eu fui escrever no quadro negro. Nada hora do ditado conversei. Molhei na tinta da professora. A substituta passou pito em mim. Empurrei o Cury na parede”

Persio – “Hontem veio uma substituta. Hontem o Mario abriu o meu estojo e tirou o lapis e rabiscou o estojo. E eu mandei que elle apagasse e elle não quiz e eu deu um tapa nelle e elle deu com a régua na minha ferida. Eu conversei um pouco. E elle me deu um pontapé”.

Gabriel Cury – “Apanhei e de hoje em diante prometo ser um alunno modelo” (copiou 20 vezes a frase).

José Pedro dos Santos – “Meu comportamento na classe é péssimo”. (copiou 20 vezes a frase).

Renato Fallez – “Quando veio a substituta pulei carteira, troquei de lugar, tirei o paletó, enfiei a penna na carteira, falei alto, dei tapa nos outros, não fiz problema que a professora mandou. Quando fis o ditado, olhei no livro”.

Coisas boas de reler, meu caro. Um grande abraço do Chico

FLAGRANTE DO SÉCULO XX
EM 1932 – Quando eclodiu a Revolução Constitucionalista de 1932 (há 86 anos amanhã), a Maternidade do dr. Deodato Wertheimer foi transformada em hospital de campanha, para acolher os feridos em batalhas da epopeia paulista. Ela ficava na Rua José Bonifácio, ao lado do casarão que hoje abriga o 2º Tabelião de Notas e Protestos da Cidade.

GENTE DE MOGI
BOA PRAÇA – Difícil tirá-lo do sério, mas quando isso ocorria, então Narciso Yague Guimarães fazia valer a imponência de seu corpanzil. O vereador, que dá nome à principal avenida do Centro Cívico da Cidade, chegou à Câmara Municipal em 1969, no vácuo da ausência de seu pai, vereador Nesclar Faria Guimarães, que não cumpriu o segundo mandato para o qual foi eleito: morreu em maio de 1966. Narciso candidatou-se em 1968 e foi eleito para três sucessivos mandatos. Não cumpriu o terceiro: morreu em setembro de 1979, vítima de um acidente nas obras da estrada Mogi-Bertioga.

O melhor de Mogi

O deputado Luiz Carlos Gondim informou: o governador Márcio França lhe telefonou, comunicando a transferência, para o Município, do prédio onde funcionava o Fórum de Braz Cubas. Os planos são de, no terreno, construir a Maternidade Municipal.

O pior de Mogi

Valter Casimiro é ministro dos Transportes e Sérgio Lobo, diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres, à conta do prestígio do mogiano Valdemar Costa Neto. Pois os dois, sorridentes, estiveram há dias em Jacareí visitando obras de modernização do trevo da Via Dutra. Nada falaram acerca dos viadutos sobre a linha férrea em Mogi.

Ser mogiano é….

Ser mogiano é… ter conhecido o Matadouro Municipal em Braz Cubas e percorrido a Rua dos Marchantes (esta veio do amigo Luiz Alves Teixeira).