O pior já passou

Após a Prefeitura Municipal decidir assumir a responsabilidade pela sede e o futuro da Corporação Musical Santa Cecília, o maior desafio será a reestruturação da entidade. Na simbólica visita pelo prefeito Marco Bertaiolli à sede centenária fechada desde 2013, no meio de muita sujeira e dos objetos quebrados, tem-se a ideia do tamanho do desafio que o novo gestor, a Secretaria Municipal de Cultura, terá pela frente. Além da reforma e restauração de um casario histórico em péssimas condições, com problemas estruturais, infiltrações e rachaduras nas paredes, uma das metas mais delicadas será recompor a banda, propriamente dita, como uma corporação musical.

Há meses sem tocar e com problemas financeiros e administrativos que levaram a uma ruptura entre o regente e presidente da banda, Manassés Maximiano dos Santos, e os demais integrantes da diretoria e músico, a Corporação Musical, de fato, acabou. A reorganização dos músicos, contratação de regente e a definição sobre quem e como será o direcionamento do futuro do grupo não será algo tão fácil.

Ainda que tardia, três anos após o encerramento das atividades, é digna de reconhecimento a atuação dos que estão lutando para salvar a banda. Nesse aspecto, vale a determinação do prefeito Marco Bertaiolli e do secretário de Cultura, Mateus Sartori, de proteger um patrimônio histórico e cultural de inquestionável valor material e imaterial de Mogi das Cruzes. Sem essa decisão política, tudo ficaria como antes.

Também merece destaque a defesa iniciada pelo vereador Iduigues Ferreira Martins (PT) em favor da entidade, nos últimos meses. Ele levou o assunto à tribuna da Câmara Municipal e acompanhou antigos músicos e diretores em um protesto realizado em frente à Santa Cecília, sobre o descabimento da situação vivida pela mais antiga banda de Mogi das Cruzes.

Em diversas edições, desde que foi tornada pública a insolvência financeira e o fim dos ensaios e apresentações, esse jornal defendeu a busca de uma solução para a mudez imposta à banda, prestes a completar 90 anos de fundação.

A presença do prefeito, músicos e imprensa dentro da sede da banda oferece certo alívio. Mas, a realidade ainda é dura. O fim dessa etapa se dará quando os débitos e pendências administrativas forem sanados pela diretoria atual e a Cidade voltar a ouvir os ensaios na sede do Largo do Carmo, ver a banda passar e tocar em festas, coretos e desfiles, e, por fim, puder conferir aquilo que a sua principal Corporação Musical fez com excelência no passado: a formação e descoberta de músicos e talentos.