EDITORIAL

O que há no rio?

Quais os peixes vivem no Rio Tietê em Mogi das Cruzes? Não há resposta segura para a pergunta sempre endereçada a pesquisadores como o professor Alexandre Hilsdorf, do Núcleo Integrado de Biotecnologia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), especialista em ictiofauna no Estado de São Paulo.

Não se sabe até onde e como os níveis de oxigênio permitem a vida de peixes a partir dos primeiros quilômetros saudáveis e ainda livres das altas cargas de poluentes. E, especificamente, na região de Mogi das Cruzes, intriga uma situação já conhecida dos pequisadores, a predominância da população do bagre africano, a espécie carnívora introduzida no Brasil na década de 1980.

Essa espécie é um predador voraz e se alimenta de peixes e outros organismos que vivem na mata ciliar. Possui uma grande capacidade de sobreviver em condições precárias, como a baixa vazão d’água e também é excelente reprodutor.

Somada à presença desse devorador, a poluição das águas do Tietê vitamina as fontes de extermínio da população dos indivíduos nativos.

Desde que o professor Hilsdorf chamou a atenção sobre o aumento da população dos bagres africanos em Mogi das Cruzes, por volta de 2010, nada oficialmente foi feito para controlar essa situação e preservar as demais espéceis.

Esse assunto voltou ao noticiário após nova etapa do repovoamento de espécies na Barragem de Ponte Nova, em Salesópolis, há alguns dias.

Nas próximas semanas, entre as ações em defesa da preservação da natureza, como a reabertura do Núcleo de Educação Ambiental da Ilha Marabá, em Mogi das Cruzes, está uma simbólica soltura de tabaranas e carás.

Há pesquisas em andamento e parcerias, como a mantida entre o Governo do Estado e a UMC nas barragens.

Porém, esses estudos possuem braços curtos para a expansão do conhecimento sobre o que já se sabe.

Um exemplo disso, ocorre mesma UMC. A estudante Fabiana Luques e o professor Ricardo Sartorello, do MapLab, Laboratório de Mapeamento de Análises da Paisagem, trazem boas notícias sobre a existência de remascentes da mata ciliar na área urbana de Mogi das Cruzes. Isso é um ponto positivo para o repovoamento de peixes. Resta conectar esses saberes a outros.

Uma sugestão lançada pelos pesquisadores seria a adesão de indústrias e empreendedores instalados ou a se instalar em regiões próximas do rio. A iniciativa privada poderia subsidiar pesquisas como essa – para se saber quem ainda vive no Tietê – em troca de compensação ambiental.