EDITORIAL

O recuo do comércio

Representantes do comércio recuaram e decidiram acatar a determinação estadual de se manter a maior parte dos estabelecimentos fechados até a semana que vem, no dia 10. A ideia do setor era antecipar a abertura para as vendas do Dia das Mães. Em outras cidades, iniciativas semelhantes foram barradas pela Justiça.

Mogi das Cruzes está diante da mesma linha divisória que alguns municípios começaram a cruzar e viram os casos de contaminação da Covid-19 aumentarem rapidamente. No mundo, os resultados do isolamento social apontam para a redução das mortes e dos períodos de internação dos milhares de pacientes com a doença. Até se ter uma vacina segura e acessível a todo o planeta, as cidades terão de atuar para conter novas ondas de propagação do vírus.

Manaus e algumas regiões turísticas brasileiras estão vendo dobrar o número de casos e óbitos porque demoraram em adotar a quarentena, iniciada primeira no estado de São Paulo. Mesmo com o arrefecimento dos índices do isolamento social, uma parte dos mogianos está ciente do papel social que cada um tem diante dessa crise.

Um crise com tons sombrios. Quem perde um familiar para a doença tem de lidar com a insólita situação de não poder velar seus mortos.

Estão no interior dos hospitais outras experiências terríveis que vão ganhando nome, identidade e o endereço das vítimas desta doença e dos médicos intensivistas, enfermeiros e outros profissionais da linha de frente dessa batalha, que tentam cuidar do outro e de si próprio.

A cidade vive o impasse entre a antecipar a flexibilização do isolamento social e os riscos de as aglomerações e as falhas das normas de higiene contaminarem mais pessoas, justamente quando o Brasil ultrapassa a China, em número de mortes. Já foram mais de 5 mil brasileiros mortos – isso, sem contar a subnotificação.

Está nas mãos do prefeito Marcus Melo e dos membros dos poderes legislativo, executivo e judiciário, o pior dos desafios: acertar como e quando o abrandamento da reclusão social se dará.

A divisão das opiniões e as dificuldades de interpretação e entendimento sobre o que é essa doença ampliam essa responsabilidade.

Exemplo caseiro: mesmo com a pesquisa mogiana divulgada nessa semana mostrando que a maioria dos infectados tem mais de 50 anos, nas ruas, preças e filas em bancos, essa parcela da população está vivendo como se o coronavírus não circulasse mais entre nós.


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