MERCADO

Onda de frio eleva preço de frutas e verduras em Mogi das Cruzes

REFLEXO DO FRIO As baixas temperaturas dos últimos dias já alteram o preço de frutas e verduras nas feiras livres da cidade. (Foto: arquivo)
REFLEXO DO FRIO As baixas temperaturas dos últimos dias já alteram o preço de frutas e verduras nas feiras livres da cidade. (Foto: arquivo)

As baixas temperaturas já criam novos vilões nas feiras livres: as frutas. O tempo mais frio atrasa o crescimento e maturação, o que faz algumas espécies ficarem mais caras, com apenas pouco mais de uma semana de frio. Na feira livre de César de Souza, ontem, o mamão estava no topo da lista, com mais de 100% de aumento na unidade.

Outra preocupação nesta época do ano é com as hortaliças, já que além de atrasar o crescimento delas, no inverno pode ocorrer geada, que acaba queimando as folhas. Nesses cenários, o preço dos folhosos fica mais caro. Situação que a dona de casa Sonia Maria de Oliveira conhece muito bem. Ela tem um filho nutricionista que faz o cardápio de casa e não deixa de colocar a salada, mesmo no frio, nas refeições. “Todos os anos, quando começa a esfriar, eu sei que vou pagar mais caro, mas hoje ainda está normal o preço. Talvez nas próximas semanas já comece a aumentar o preço”, conta.

Preço do mamão subiu 100% na feira de César de Souza. (Foto: Natan Lira)

Feirante há 8 anos na maior barraca de hortaliças da feira de César, Paulo Takemura também diz que o frio ainda não reflete no preço dos folhosos. Ele diz que o termômetro é o alface, hortaliça mais vendida e que também costuma ser impactada pelo frio.

“A partir de agora a gente já começa a comprar menos, porque há uma mudança no comportamento do cliente agora. Ele deixa de consumir hortaliças e passa a comprar mais legumes, para fazer caldos e sopas. O alface mesmo tem uma queda de 40% nas vendas”, relata o feirante.

A queda nas vendas também é sentia na barraca de frutas do Angelito Bezerra. Ele avalia que a única parte boa do frio é que as frutas duram mais, mas ainda assim ele tem prejuízo, porque também há queda de 30% na procura dos clientes. Uma das fruta mais procuradas é o mamão. Antes ele pagava uma R$ 18 na caixa com 21 unidades da espécie papaya. Nesta semana, pagou R$ 49, o que fez o preço final dobrar para o cliente e chegar a R$ 3 a unidade.

“Eu pegava 15 caixas por semana, mas peguei só duas. O cliente vê ele verde aqui e nem leva, aí a gente vai baixando o preço para não ficar com o prejuízo, mas ainda assim não tem jeito. Nada se compara a ter um sol bem forte para vender bastante fruta”, diz o feirante. Ele diz ainda que o abacaxi, a goiaba e a melancia estão mais caros. “Alguns é porque já está acabando a safra, então vem de outros estados e aí encarece o preço, mas outros é porque falta mesmo, já que a produção está atrasada”, diz.

O aposentado Bernardo dos Santos Krull não costuma ir muito à feira, mas percebeu que algumas frutas estão mais caras. Ele então opta por aquelas que são da época e ficam mais em conta, devido à grande oferta. “Estou levando maçã e a mexerica. A gente que é aposentado precisa fazer esse levantamento, porque também não dá para ficar sem a fruta”, conta.

A pesquisa de preços é uma medida adotada pela dona de casa Maria Aparecida Miranda. Ela frequenta a sessão de frutas, legumes e verduras dos supermercados e também acompanha o preço na feira. “Agora quase não compro hortaliça, é mais batata e cenoura, então fico sabendo o preço delas”, ressalta.