Onix é estiloso e vem bem equipado

Para manter o Onix na liderança de vendas nacional – pelo segundo ano consecutivo, o carro ocupou o topo da lista de mais vendidos no país -, a Chevrolet aplicou diversas mudanças no modelo em 2016. Uma delas foi tornar a versão LTZ – antes a topo de linha – em intermediária. Além disso, a estética mudou e o carro ganhou mais qualidade no acabamento. Na frente, o Onix traz vincos esculpidos sobre capô, faróis de máscara negra com filetes de LED e grade bipartida. As rodas são exclusivas, com acabamento diamantado na face superior e 15 polegadas, calçadas com pneus 185/65 R15. Na traseira, as mudanças foram quase imperceptíveis. O layout de luzes das lanternas mudou, assim como o desenho do para-choque, ficou um pouco mais esportivo.

Por dentro, permanece o tom sóbrio, mas com acabamento um pouco melhor e diferenciado, como dos bancos revestidos parcialmente em couro. O painel continua sendo meio digital e meio analógico. A direção é elétrica e a configuração LTZ já sai da fábrica com sistema multimídia compatível com Android Auto e Apple CarPlay e sistema OnStar, capaz de ajudar a encontrar outros pontos de interesse. A lista de itens de série é completa e inclui sensores de chuva e estacionamento traseiros, ajuste elétrico dos retrovisores e travas e vidros com acionamento remoto pela chave, entre outros.

Na parte dinâmica, o Onix mantém a linha de que onde se está ganhando, não se mexe. O motor é o velho conhecido 1.4 litro de quatro cilindros que desenvolve até 106 cv de potência a 6.000 rpm e 13,9 kgfm de torque a 4.800 rpm quando abastecido com etanol, e 98 cv e 13 kgfm nos mesmos giros com gasolina no tanque. O câmbio automático de seis marchas passou por uma reprogramação para executar trocas mais suaves.

É no consumo – com nota D na categoria e C no geral no InMetro – que a idade avançada do motor mais se revela. As arrancadas, retomadas e ultrapassagens são feitas de forma honesta, mas sem qualquer excesso. O motor se esgoela, mas dá conta de executar as tarefas. A transmissão automática de seis velocidades proporciona trocas suaves e quase imperceptíveis. Se o motor deixa a desejar, o câmbio é o melhor do segmento.

A ergonomia do Onix continua boa. A posição mais alta de dirigir aumenta visibilidade e a sensação de segurança para os motoristas mais inseguros. A direção elétrica facilita o trabalho de estacionar o hatch e tem boa progressividade, ficando mais pesada em velocidades mais altas. Poderia ser um pouco mais direta, mas não é nada que atrapalhe.

Em movimento o Onix se mostra muito bem acertado. A suspensão é confortável e filtra bem as irregularidades do asfalto, mas não compromete no comportamento em curvas. A carroceria rola bem pouco e o hatch não é o tipo de carro que assusta caso uma curva seja feita com a velocidade um pouco acima da média.

Com preços a partir de R$ 55.690, o Onix LTZ tem apenas um pacote de opcionais, que acrescenta controlador de velocidade de cruzeiro e transmissão automática de seis velocidades com opção de troca manual de marchas na alavanca. Esse pacote encarece o preço final do modelo em R$ 5.200, totalizando os R$ 60.890 cobrados pela versão avaliada. (Fábio Perrota Júnior/AutoPress)

Ponto a ponto – Chevrolet Onix LTZ
Desempenho – Os 106 cv e 13,9 kgfm de torque do motor 1.4 que equipa o Onix LTZ empurram o hatch com competência, mas sem sobras. É apenas o necessário para locomover o modelo. Em ultrapassagens e retomadas emergenciais, não há milagre. O motor parece que se esgoela, para empurrar o hatch. O câmbio automático responde bem às solicitações, mas as trocas manuais continuam sendo através de um incômodo botão na lateral da alavanca. As mudanças de marchas, no entanto, são suaves e quase imperceptíveis. Nota 7

Estabilidade – O comportamento do hatch é adequado, sólido e sem sustos. A suspensão apoia bem o Onix e curvas são encaradas com eficiência em alta ou baixa velocidade. A direção elétrica não tem funcionamento muito direto, mas nada que atrapalhe. É notável a melhora o peso do volante em manobras de estacionamento. Nota 8

Interatividade – O sistema multimídia MyLink é simples de usar e tem comandos simples e intuitivos. A ergonomia é boa e a posição de dirigir é facilmente encontrada e levemente mais alta. A área envidraçada proporciona boa visibilidade. Nota 8

Consumo – O InMetro testou o Onix LTZ equipado com câmbio automático e aferiu médias de 6.9/8,5 km/l na cidade/estrada com etanol e 9,9/12,2 km/l nas mesmas condições, com gasolina no tanque. O resultado foi de 2,02 MJ/km, com nota D na categoria e C no geral. Nada animador em comparação a projetos mais recentes. Nota 5

Conforto – O espaço interno é bom em relação a outros compactos. Quatro ocupantes viajam sem problemas e um quinto até é aceitável, desde que em trajetos curtos. O isolamento acústico é bom e a suspensão amortece bem as irregularidades do asfalto. Nota 8

Tecnologia – O Onix é construído sobre a mesma plataforma dos sedãs Cobalt e Prisma e da minivan Spin. Ela é moderna e prioriza o espaço interno. O modelo teve ainda participação importante na popularização dos sistemas multimídias, a partir da disponibilidade do MyLink, um dos primeiros dispositivos desse tipo. A transmissão é moderna, com seis marchas, mas os motores começam a ficar defasados em relação aos concorrentes, que já usam projetos mais modernos e que proporcionam maior economia de combustível. Nota 7

Habitabilidade – Há diversos nichos para guardar os objetos do motorista. As quatro portas têm bons ângulos de abertura e o entre-eixos de 2,53 metros, embora não seja o melhor da categoria, garante bom espaço no habitáculo. O porta-malas transporta 280 litros e está na média para o segmento de hatches compactos. Nota 7

Acabamento – Os materiais melhoraram na atualização e passam maior sensação de qualidade. O revestimento parcial dos bancos em couro é bonito e tem visual diferenciado. Não há rebarbas aparentes e os encaixes passam impressão de solidez. Nota 8

Design – A reestilização caiu bem no Onix, que já estava ficando com o visual cansado em relação aos seus concorrentes diretos. A versão LTZ traz a sobriedade que falta ao visual descolado da Activ, que agora ocupa o topo da gama. Os faróis com filete de LED como luzes diurnas dão um visual requintado a dianteira. A nova grade bipartida aumenta a sensação de esportividade. As rodas de 15 polegadas e acabamento diamantado são bonitas e chamam atenção. Nota 8

Custo/benefício – Com câmbio automático, o Onix LTZ custa R$ 60.890. A Hyundai cobra R$63.630 pelo HB20 automático equipado à altura, mas seu motor 1.6 é mais potente, rendendo 128 cv. Já a Toyota pede R$ 61.350 por um Etios XLS automático 1.5. O Gol Highline, com motor 1.6 e câmbio automatizado custa R$ 59.406. O hatch da Chevrolet é um pouco mais caro que o Gol, mas compensa pelo câmbio automático de verdade e pela tecnologia do seu projeto. Nota 8

Total – O Chevrolet Onix LTZ automático somou 74 pontos em 100 possíveis.


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