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Operação de busca e apreensão no gabinete e casa de vereador e de empresário é desdobramento de investigação de corrupção

CASO Investigação prossegue com a análise da documentação apreendida no gabinete do vereador Mauro Araújo. (Foto: Natan Lira)
CASO Investigação prossegue com a análise da documentação apreendida no gabinete do vereador Mauro Araújo. (Foto: Natan Lira)

O Ministério Público de Mogi das Cruzes cumpriu mandados de busca e apreensão no gabinete e na casa do vereador Mauro Araujo (MDB) e em endereços do empresário Joel Leonel Zeferino, na cidade, na manhã desta quarta-feira (13). A ação faz parte de uma investigação em andamento na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Mogi de possível lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico de influência.

A investigação teve início no começo do ano, após o vereador e o empresário registrarem um boletim de ocorrência dando conta de que tinham sido vítimas de golpistas na compra de 12 carros. Segundo o documento, os dois fizeram compras em leilão na internet e anteciparam o pagamento de R$ 381.789, 00, dos quais a parte do vereador era de R$ 314.298,00 (nove carros), mas os carros não foram entregues. No entanto, as duas transações foram realizadas a partir da conta bancária de Leonel.

Em nota divulgada à imprensa, o vereador Mauro diz que lamenta “enormemente a pirotecnia feita quando do cumprimento da diligência, agastado em deixar de ser vítima para ser suspeito, com confiança nas instituições, aguardo com serenidade o arquivamento da apuração que por certo se dará em futuro próximo”. (confira o posicionamento completo do vereador e do empresário Joel Leonel Zeferino abaixo)

A quantidade de carros oficiais que fizeram parte da operação de apreensão dos documentos chamou a atenção de funcionários e pedestres. (Foto: Natan Lira)

De acordo com o 1º promotor de Justiça de Mogi das Cruzes, Kleber Henrique Basso, a aquisição dos veículos era feita pelo empresário, sendo que parte desses veículos seria para o vereador. “Eles foram registrar uma ocorrência na polícia, como supostas vítimas, e daí chamou a atenção do MP o fato de que o empresário estaria comprando veículos para o parlamentar. Verificamos que há algumas relações entre eles, de intermediação de alguns negócios, obras, o empresário é do ramo da construção, e a gente prosseguiu com as investigações”, detalhou o promotor.

Durante essa apuração, segundo Basso, o MP verificou indícios de incompatibilidade de patrimônio, “absolutamente incompatível com valores por ele auferidos, enquanto vereador”. Além disso, Araújo teria se valido do cargo para conseguir favores ao empresário que tem negócios no estado, mas reside e faz a gestão das atividades em Mogi. “Tráfico de influência. Usava (Araújo) o cargo na prefeitura, pede o favor para um, para outro, para obter uma influência e conseguir favores ao empresário”, explicou o promotor.

Agora, a investigação prossegue com a análise de toda a documentação apreendida junto ao que já era analisado na Promotoria de Justiça. Além disso, o vereador deverá ser ouvido nos próximos dias. “Então analisaremos se será o caso ou não de oferecermos denúncia perante o poder judiciário, ou também uma ação civil pública perante o juízo da Fazenda Pública de Mogi”, acrescentou Basso.

Caso confirmadas as irregularidades, o promotor detalhou que o vereador vai responder uma ação penal e uma ação civil pública, assim como o empresário. Em relação a pedido de prisão preventiva, o promotor disse que ainda não trabalha com essa possibilidade.

A operação do MP ocorreu no dia em que O Diário publicou que a eleição para a escolha da nova mesa diretiva da Câmara de Mogi acontecerá no próximo dia 11 de dezembro, ocasião em que o nome de Mauro Araújo seria confirmado para presidir a casa em 2020, seguindo um acordo entre as bancadas da casa.

Em frente à Câmara chamou atenção a quantidade de carros oficiais que fizeram parte da operação de apreensão dos documentos.

Leia na íntegra a nota dirigida à imprensa pelo vereador Mauro Araújo:

“Há alguns meses, em sociedade com um amigo, participei de um leilão de carros. Arrematamos alguns automóveis e depois descobrimos que se tratava de fraude.

Como comum com qualquer pessoa que atue com boa fé, para tentar reparar os prejuízos e punir os culpados, levamos o caso à Polícia e pedimos que fosse o evento investigado para punição dos estelionatários.

Não bastasse, foi ajuizada ção perante a justiça, pedindo indenização e ressarcimento em face de instituição bancária que liberou indevidamente o pagamento.

Surpreendentemente, sem que nunca fosse ouvido por quem quer que fosse, sem que fossem analisados meus ganhos na atividade privada, fui transformado de vítima em autor, o que, com todo respeito, é inacreditável.

Estou certo de que com tudo apurado e constatada toda retidão do negócio, que, aliás, sempre tem sido o norte da minha vida pública quanto privada, será a investigação levada a arquivo.

Lamentando enormemente a pirotecnia feita quando do cumprimento da diligência, agastado em deixar de ser vítima para ser suspeito, com confiança nas instituições, aguardo com serenidade o arquivamento da apuração que por certo se dará em futuro próximo”.

O empresário Joel Leonel Zeferino também se manifestou por meio de uma nota.

Ele disse que em anos de vida pessoal e com uma carreira consolidada na área da Construção Civil, jamais deu motivos às forças policiais para desconfiarem de meus hábitos e padrão de vida.

“É triste sinalizar que, pelo visto, a Justiça confunde com facilidade vítima com ladrão, não percebendo, creio eu, o quanto constrangeu toda a minha família e a todos os que nos cercam durante a ação realizada nesta quarta-feira.

A verdade é que, há alguns meses, em sociedade com um amigo, participei de um leilão de carros. Arrematamos alguns automóveis, na oportunidade. Mais tarde, no entanto, descobrimos que se tratava de fraude.

A exemplo de qualquer pessoa de boa fé, para tentar reparar os prejuízos e punir os culpados, levamos o caso à Polícia, e pedimos que fosse esta ocorrência investigada, visando à punição dos estelionatários.

Foi, então, ajuizada ação na Justiça, abarcando indenização e ressarcimento em face à instituição bancária que liberou indevidamente o pagamento do leilão.

Surpreendentemente, sem que eu nunca fosse ouvido por quem quer que fosse, passei de vítima para suspeito, o que, com todo respeito, é inaceitável. Estou certo, por outro lado, de que com tudo devidamente apurado e constatada toda retidão de meus negócios e de minha vida, a investigação que muito me chateou hoje será arquivada.

De toda maneira, lamento enormemente a pirotecnia ocorrida no decorrer do cumprimento da diligência, comigo na qualidade de suspeito. Apesar do dissabor, ainda confio nas instituições, e sigo não desejando tal experiência para nenhum inocente”, afirmou.


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