EDITORIAL

Ordem restabelecida

A gestão do patrimônio histórico nacional dedicado à memória da imigração japonesa continuará como antes: nas mãos da Associação do Casarão do Chá, criada com a missão específica de reconstruir e proteger a história da antiga fábrica Tokyo, que funcionou no bairro do Cocuera e marcou a era da produção brasileira do chá.

Uma ação judicial que questionava a doação do terreno do Centro Esportivo do Socorro para a construção do Sesc de Mogi das Cruzes, também denunciou a prorrogação da concessão de uso e ocupação do Casarão do Chá à associação. Nos dois casos, o Tribunal de Justiça acatou a denúncia, e determinou que os atos fossem suspensos e refeitos.

Cumpriu-se, então, o que decidiu o juiz. Uma novalicitação pública foi lançada e nenhum outro interessado em assumir o casarão se lançou à empreitada. Apenas a entidade com sede em Mogi das Cruzes, fundada pelo artista plástico Akinori Natakani e mantida por um grupo de defensores da história e da cultura se apresentou no certame.

Nos próximos dias, a assinatura da parceria entre o poder público e a Associação Casarão do Chá devolve a gestão a quem mais lutou para que esse patrimônio histórico e arquitetônico não se perdesse para sempre.

Esse projeto difunde a arte, a cultura japonesa, a história de Cocuera e de Mogi. O desfecho era o defendido por quem minimamente se interessa pela memória da imigração japonesa e da história mogiana.

O Casarão do Chá projeta Mogi das Cruzes com uma exclusiva e rica programação de exposições nacionais e internacionais que atrai visitantes de vários estados e países, e atividades dominicais dedicadas à cultura e ao conhecimento. Ele se mantém ativo por causa de Nakatani, sua família e os apoiadores desse projeto (muitos deles moradores de outras cidades).

A nova etapa da parceria com a Prefeitura terá uma novidade. Pela primeira vez, recursos municipais serão investidos ali, o que deverá alargar seus braços com ferramentas como a melhoria do acesso à internet.

No final, ao menos para isso, serviu o questionamento que não visou o modelo de uso do Casarão pela associação, mas a falta de licitação pública para se definir seus gestores. É importante que o poder público municipal se faça mais presente nesse ponto de cultura e turismo da cidade.


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