EDITORIAL

Os lixões de Mogi

Não tem surtido o efeito esperado a política municipal de combate aos lixões clandestinos encontrados em estradas pouco utilizadas e em pontos específicos onde tudo seria plausível, menos o despejo de detritos, como este jornal mostrou em mais uma reportagem sobre um problema de saúde pública.

Em Braz Cubas, ao lado da Escola Municipal Professora Lourdes Maria Prado Aguiar, restos de materiais de construção, inclusive perigosos cacos de vidro, acomodados no ponto de passagem de crianças dizem muito sobre quanto a qualidade de vida em Mogi das Cruzes está mais para peça publicitária, usada principalmente por políticos, do que para a realidade das ruas.

Há lixo ao lado de escola, onde crianças passam todos os dias, no leito de córregos e rios da poluída bacia do Rio Tietê, no caminho de símbolos ambientais entre as serras do Itapeti e do Mar.

Essa situação é causada pela falta de educação, civilidade e conscientização. Quem suja o espaço público é também vítima dos problemas como a depreciação da vida, a desvalorização imobiliária e o aparecimento de doenças fatais, como a dengue.

Mogi das Cruzes está mais limpa? Em muitos aspectos, sim. Mas não há como fechar os olhos para o que nenhuma das últimas administrações municipais soube atacar de maneira exemplar: o aumento do descarte irregular feito nos mesmos endereços há anos. Tanto que um mapeamento detecou dezenas dos pontos viciados de lixo.

Ações como os ecopontos (mesmo com a perda temporária de um deles, o do Parque Olímpico) e a fiscalização precisam ser melhoradas e, principalmente, melhor divulgadas. Há uma parcela da população que suja e uma outra interessada em combater esse problema urbano.

Existe lei para quem é flagrado despejando lixo em terrenos baldios. Uma multa, em geral, está em torno de R$ 8,3 mil. Mas, e daí?

Falta criar meios eficientes para ampliar os flagrantes. É preciso mostrar que Mogi pune quem vem de fora sujar as suas ruas.

Sem um entrosamento entre o poder público – a quem cabe a fiscalização e o ordenamento do uso urbano, e a participação popular, Mogi continuará patinando num tema caro, inclusive para os cofres públicos.

Não há como manter um fiscal em cada rua de uma cidade como Mogi, com um dos maiores territórios urbanos do Estado.

Por isso, a denúncia se torna ferramenta para potencializar a fiscalização. Outra coisa – a cidade tem poucos ecopontos. Os lixões possuem detritos que o caminhão de lixo não leva. E há muitas pessoas que não têm carro para levar os detritos até os dois ecopontos em funcionamento.