CHICO ORNELLAS

Os normalistas de 1947

Mogi de A a Z

UNIDOS SEMPRE – A foto de 1962 registra a confraternização pelo 15º aniversário de formatura na Escola Normal de Mogi das Cruzes. Integram essa turma: Adelaide Martins Faria, Anna Tzirulnik, Benedito Fernandes de Souza, Boris Grinberg, Clélia Pinheiro Franco, Celina Barreto, Clélia de Lourdes Mello, Dalva de Mello Barros, Dionysia Cardoso, Dóris Ribas Tavares, Dulce Cardoso dos Santos , Elydia Bueno de Toledo, Faustina Beleza Branco, Haydée Pavan, Heliana Mafra Machado, Ignez Ferreira Alves, Isis Mendonça de Castro, Judith de Souza Guimarães, Lecticia Augusto Nascimento, Maria do Amparo de M. Lima, Maria José Arouche Alves, Maria de Lourdes A. Abreu, Maria Lúcia da Silva, Maria de Souza Mello, Mauricio Chermann, Neyse Porcelli, Nidia Gondiães Ribeiro, Nyassa Cardoso, Osmiraldo Silveira, Rubens Martins Rodrigues, Suely Cunha Martins , Thereza Caporali, Thereza Gomes Amorim, Therezinha Borges Cury, Therezinha Célia Leme, Therezinha Issa, Walcidio de Castro Oliveira e Maria Inocência Mathias Franco (em memória). (Foto: Arquivo pessoal)

Eles integraram uma turma especial, ainda que impossível determinar qual tenha sido a mais especial dentre as formadas pela Escola Normal do Estado em Mogi das Cruzes. Mas a de 1947 – 72 anos completos – foi realmente especial. Pela união de seus integrantes, pela história construída de vários de seus membros.

Tendo por paraninfa a então primeira dama do Estado, Leonor Mendes de Barros, esposa do governador Adhemar de Barros, elegeram o colega Walcidio de Castro Oliveira para seu orador. E por muitos anos preservaram o costume de, a cada cinco, reunirem-se para celebrar a graduação e a amizade.

Por professores eles tiveram, entre outros: Alba Carneiro Vidigal, Benedito Vieira da Motta Filho, Célia Felipe Ananias, Floriza Faustino Pinto, Hilda Maria Jungers, Hugo Ramos, Ignêz de Castro, Jugurtha Lourival Glória (diretor), Maria Aparecida Faury, Maria Pia de Freitas e Ruth Veiga

Durante muito tempo, desde sua constituição, em 1930, a Escola Normal funcionou junto com o Ginásio do Estado, no prédio da Rua Coronel Souza Franco. Perderia essa denominação em 1954, com a caracterização dos cursos como Instituto de Educação. Em meados da década de 1960 seria transferida para o novo prédio da Rua Cândido Alvarenga.

As festividades de 1962 (15º ano de graduação) foram realizadas no dia 21 de dezembro. Começaram com visita ao túmulo da Maria Inocência Mathias Franco, falecida no decorrer do curso; seguiram com missa na Igreja de São Benedito e, por fim, um jantar no Hotel Avenida, então localizado em frente à atual Praça do Imigrante.

Pelo menos três dentre os formandos ocuparam lugar de destaque no cenário educacional de Mogi das Cruzes e vários deles desempenhariam carreira de sucesso no magistério, atuando alguns na própria escola em que se formaram. São da turma de 1947 Boris Grinberg e Maurício Chermann, fundadores e futuros reitores da Universidade Braz Cubas (surgida na década de 1960); também Osmiraldo Silveira, que foi diretor do Instituto de Educação Dr. Washington Luiz.

Carta a um amigo

Nelo Boratto, inesquecível

Ah, meu caro Nelo, me desculpe!

Fez 20 anos, no final de março, que você resolveu se mudar. Como você mesmo dizia, para a Praça Antônio Nogueira. E nós deixamos passar batido. Confesso-lhe que só me lembrei da data quando vi, em rede social, a foto de um rapaz alto, jovem, amigo de há muito de meu caçula Frederico. A quem ele chama de “Menino”.

Nellusco Lourenço Boratto, o Nelo, mogiano que como poucos soube cultivar amizades. (Foto: Arquivo pessoal)

É o Norton, neto do Nelo. Fico a pensar sempre como me gratifica essa amizade dos dois. Que resiste à distância. Hoje Frederico mora em Valinhos, trabalha em Campinas. Norton nos Estados Unidos. Tanto quanto me gratificou a nossa própria amizade. Por quantas vezes, meu caro, ouvi você contar encontros que teve com meu avô Leôncio, ainda na década de 1930. Você um adolescente, ele um quarentão. Contou-me também, incontáveis vezes, detalhes de encontros com meu pai. Assim como eu contei a meus filhos os nossos encontros na Chácara de Santa Fé. Até que você próprio passou a conviver com o primogênito Felipe. Garoto ainda, lá ia ele nas manhãs de domingo nos servir um copo ou um petisco. E você, de pronto, passou a chamá-lo de Gunga Din, relembrando o papel que imortalizou Sam Jaffe no filme do mesmo nome, em 1939. No filme, Gunga Din era o “aguadeiro” que abastecia as tropas.

Eu o vi, Nelo, pela primeira vez, no Comind da esquina da Dr. Deodato com a Ricardo Vilela. Fui levado pelas mãos de meu pai que ia ao banco para alguma avença. Menino de calças curtas, voltei a vê-lo alto, magro e de cabelos brancos, dividindo mesa com meu avô na Padaria Central do Largo da Matriz. Estava sempre alegre e solícito. Outras vezes ainda o vi, em carnavais, acompanhando a corte de João Benegas Ortiz, o eterno Rei Momo da cidade. A primeira conta bancária que tive, foi no Andrade Arnoud. Na gerência: Nelo Boratto.

Quando Felipe cresceu, você passou a chamá-lo de Lorde. E Frederico, o amigo de Norton, de Príncipe. A eles não me canso de relembrar histórias suas. Como aquele célebre feijoada que o ex-prefeito Henrique ‘Vidan’ Peres ofereceu em um sábado, no sítio de Guararema.

Às margens do Rio Paraíba, os cozinheiros chegaram cedo para o almoço. Antes, durante e depois, a caipirinha insubstituível. Nessa época, todos ainda eram jovens o suficiente para gostar de caipirinha. Com o tempo, substituiriam a aguardente de cana pelo whisky de malte, escala para o vinho de hoje. Com a caipirinha subindo, alguém decidiu incorporar, à feijoada, pedaços de borracha retalhados da sola de uma botina encontrada às margens do rio.

Mas que carne seca dura”, diria durante o almoço um dos convidados. Não foi suficiente para deixar o prato de lado. E muito menos o copo. Encerrada a comilança, alguns ficaram a conversar, outros foram embora. E pelo menos um resolveu aproveitar a relva verde das margens do Paraíba para uma soneca.

Heitor tinha vasto mustache que cultivava com carinho. Pegou no sono pesado rápido. Você, Nelo, agiu depressa. Com um palito cutucou um monte de bosta de vaca e pincelou o bigode do amigo. Quando ele acordou, aspirou forte e gritou aos quatro ventos:

Cagaram no mundo!”

Ou ainda a antológica passagem sua e de Ricardo Strazzi pelo Tiro de Guerra. O Tiro funcionava, nessa época, na Rua Coronel Souza Franco, onde hoje há o Supermercado Shibata, e que, àquele tempo, era área municipal vizinha do depósito da Prefeitura. Foi ali, num pátio de terra que, logo no primeiro dia, mosquetão ao ombro, você e Ricardo se perfilaram para as apresentações ao tenente Alcides Machado. Cidadão de baixa estatura e alta energia, o tenente Machado foi o terror de centenas de jovens mogianos nos meses de serviço militar. Machado se autodenominava Alcichado. Foi expedicionário na II Guerra Mundial, à qual se alistou em solidariedade aos rapazes mogianos convocados para os campos da Itália e que haviam sido seus subordinados no Tiro de Guerra 173 de Mogi.

Era companheiro solidário. Mas enérgico como chefe. Obrigava seus recrutas a longas caminhadas. Punia muitos com abdominais; outros tantos com “cangurus”, aquele exercício que exige flexões intercaladas e sucessivas dos joelhos. Impossível desafiar Machado sem que viesse a represália imediata.

Pois no dia das apresentações da turma de Nelo e Strazzi, o tenente foi chamando um a um pelo sobrenome. Queria conhecer a todos. Quando chamou Strazzi, perguntou como se grafava o nome. Nelo antecipou-se ao amigo e berrou em alto e bom som:

– “Como pizza; com dois zez.”

Imediatamente, você foi chamado para fora da formação. Ricardo se lembrava do castigo que o tenente Machado impôs a Nelo. Que o cumpriu sem rancores. Nelo perdia a pose; mas não deixava passar a piada. Nunca.

Lembrei-me também da noite em que você chegou reclamando dos sinos da Catedral. Estava de pilha nova. Reclamou durante todo o tempo, dizendo que já não lhe era possível dormir sossegado, com os sinos da Catedral badalando a cada hora. “Qualquer dia eu demito o Padre Roque”, disse você, em plena década de 1990, trazendo à vida o pároco que por mais tempo permaneceu à frente da Igreja Matriz de Santana. Padre Roque morreu na década de 1960.

Pois é: desde 29 de março de 1999 você “vive” na Praça Antônio Nogueira. Para nós, realmente “vive”.

Um grande abraço de saudades do

Chico

GENTE DE MOGI

ARTISTA – Ele era um artista, na personalidade, nos costumes, na convivência, na ascendência. Veio da Holanda, com a esposa e três filhos, aqui nasceram outros dois. Algumas das principais esculturas públicas de Mogi têm sua assinatura, apesar de desconhecido pela maioria da população. Como o Cristo da Catedral de Santana e o Monumento ao Imigrante Japonês, na Praça dos Imigrantes (inaugurado em 7 de setembro de 1969 – 50 anos). Mas, os que tiveram aula com ele, não o esquecem; tampouco do ateliê anexo à casa que construiu na Rua José Urbano Sanchez. Arquiteto e escultor, assim era Antonius Josefus Maria Van der Wiel.

O melhor de Mogi

O casarão do Carmo, como ficou conhecida a construção que a família de Celestino Bourroul ergueu no final do século XIX na esquina das ruas José Bonifácio e Dr. Correa.

O pior de Mogi

A serra devastada. Alguns pedaços da Serra do Itapeti, braço da Mantiqueira que traça o cenário da Cidade, merecem ser vistos com mais atenção. A devastação come vastas áreas e ameaça nosso maior patrimônio natural.

Ser mogiano é….

dizer que a Riviera de São Lourenço é o “quintal de Mogi”.

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