CHICO ORNELLAS

Ouvir é uma atividade saudável

PATRIMÔNIO – Tem perto de 150 anos o Casarão do Carmo, bem indissociável, com as igrejas do Carmo e o Theatro Vasques, do sítio de maior importância histórica e arquitetônica da Cidade. (Foto: Arquivo Pessoal)

Um de meus formadores no Jornalismo insistia: assim como o melhor editor é aquele que dispõe da maior lata de lixo (e com isso exerce a seleção contínua do que publicar), o melhor repórter é aquele que tem o maior número de fontes (e, destarte, a possibilidade de ouvir muitas pessoas). Em paralelo, pode-se dizer que o melhor prefeito é aquele que tem a maior capacidade de ouvir.

Isto me veio à mente noite destas, em telefonema que recebi de um querido amigo, o advogado Egberto Malta Moreira. Comentava ele acerca de nota, publicada domingo passado, na seção “Ser mogiano é…” Ali anotou-se que o Casarão do Carmo foi desapropriado na década de 1980, gestão do prefeito Antônio Carlos Machado Teixeira. Para o que me fiei em informação do site da Secretaria da Cultura.

Há detalhes nessa história”, contou-me Egberto. E recordou-se que, em meados dos 80’, ele encontrou-se com o então prefeito Antônio Carlos Machado Teixeira e comentou que o casarão do Largo do Carmo corria o risco de ruir. E que a Cidade agradeceria por sua preservação. “Mas como fazer”, devolveu-lhe o prefeito.

Egberto então sugeriu uma engenharia do bem: havia alguns anos, na concessão do serviço funerário, quando Waldemar Costa Filho era prefeito, foi outorgado direito de uso, à funerária da época, de um terreno municipal em frente a Delegacia de Polícia, ali na Praça Antônio Nogueira.

Então eu sugeri – ainda Egberto – uma permuta: Transferia-se, em definitivo, o terreno onde foi construído o Velório Municipal para a funerária, em troca do Casarão do Carmo, de propriedade do empresário Mauro Chagas de Macedo, o mesmo operador do serviço funerário”.

Você tem como encaminhar isso? – mais uma vez o prefeito de então. E se mostrando bom ouvinte.

Egberto: “Procurei então o dr. Dauro Paiva, um dos mais conceituados advogados que esta Cidade já teve e que atuava em questões de interesse de Mauro Macedo. A partir daí, as partes entabularam a negociação e o Casarão do Carmo foi preservado”.

O casarão data do século XIX e foi construído pelo médico Celestino Bourroul, patrono da cadeira 38 da Academia de Medicina de São Paulo, como residência de lazer da família, que morava em São Paulo.

Era no Casarão do Carmo que a Família Bourroul costumava recepcionar ilustres visitantes da Cidade, nas primeiras décadas do século passado. E foi no Casarão do Carmo que uma irmã de Celestininho, Maria Esther, hoje viúva, casou-se com o médico e catedrático de Ortopedia da Faculdade de Medicina de São Paulo, Luiz Gustavo Wertheimer, filho do dr. Deodato Wertheimer. Por ele tinha especial predileção José Celestino Bourroul. Celestininho, como era conhecido.

Engenheiro formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, José Celestino Bourroul era um dos maiores especialistas no desenvolvimento urbano da cidade de São Paulo. Fez carreira na Prefeitura da Capital, onde iniciou-se ao tempo do prefeito Francisco Prestes Maia. Foi colaborador dos prefeitos José Vicente Faria Lima e José Carlos de Figueiredo Ferraz e presidiu a Emurb – Empresa Municipal de Urbanização. São-paulino roxo, integrava o Conselho Consultivo do São Paulo FC.

CARTA A UM AMIGO
As catedrais de Sant’Ana

Caro Chico Ornellas

Há alguns anos, elaboramos estes texto e fotos da Catedral de Sant’Ana de Mogi das Cruzes e da Catedral de Notre Dame de Paris, comparando-as e destacando que as duas são dedicadas a Sant´Ana. Pelo texto, pode-se mostrar as semelhanças, embora sejam de estilos diferentes.

Como estamos em plena novena da Padroeira, achamos oportuna sua divulgação.

Com renovado agradecimento por sua atenção, deixamos aqui nosso abraço.

Leila Maria e Paulo Marcondes Carvalho

A história de nossa Catedral Diocesana é conhecida como obra que se ergueu em substituição à antiga Matriz, pelo saudoso cônego Roque e projeto do professor Melhman, na década de 1950.

A antiga matriz manteve o vínculo da homenagem a Sant´Ana, como continua hoje a Catedral Diocesana de Mogi das Cruzes. Desde os primórdios da primeira capela, lá pelos idos de 1580, Sant´Ana é a consagrada padroeira da Cidade.

Há certas semelhanças entre nossa Catedral e a Catedral de Notre Dame de Paris. Ambas apresentam sua parte frontal em três níveis, com três portais, uma grande rosácea, janelas estreitas e duplas encimadas de arco, com duas torres sem acabamento ou com discreto telhado. Mas distanciam-se, imensamente, no tocante ao projeto, sendo uma gótica e a outra românica e, principalmente, pelas milhares de figuras que ornam a face frontal da Notre Dame.

Uma devoção, entretanto, é comum às duas Catedrais. Ambas dedicam especial louvor a Sant´Ana. A nossa, pela dedicação a Sant`Ana em toda a sua história, enquanto a francesa destaca, como tema do frontal da porta à direita, em imagens de alto relevo, toda a história da vida de Sant`Ana e São Joaquim. Ainda mais, o portal sul do transepto (o braço da cruz em relação à nave central) é também dedicado a Sant´Ana, datando do século XII.

Notre Dame, por seu próprio nome, é dedicada a Nossa Senhora. Localizada em Paris, é uma das mais antigas catedrais francesas, em estilo gótico. Foi erigida no local da primeira igreja cristã de Paris, a Basílica de Saint Étienne, a partir de 1163 até 1250, mas dedicada a Maria, Mãe de Jesus – Notre Dame. Quase 200 vitrais decoram suas janelas de alto a baixo, de modo especial a rosácea de 13 metros de diâmetro. São os vitrais talvez mais coloridos e admirados em toda a Europa. Na história de sua existência, celebrada pela pena de Victor Hugo, pode ser conferido o sino Emanuelle, de 13 toneladas, com badalo de 500 quilos.

A cultura religiosa da Idade Média mostrou-se muito mais rica e generosa na edificação e decoração de seus templos, comparados com os séculos das eras posteriores.

Deus seja sempre louvado, justamente neste mês de julho, em que se promove mais uma solenidade em louvor a Sant`Ana, lembrando que sua devoção remonta a séculos de tradição cristã, repetindo-se em catedrais e na piedade de seus fiéis”.

GENTE DE MOGI
GUARDA NACIONAL – Organização privada do Império, que sobreviveu à República Velha, a Guarda Nacional reunia as elites comunitárias, na preservação das instituições nacionais. Não tinha função militar, tampouco policial, valia pelo que representava. Nesta foto, de 15 de novembro de 1909, está o batalhão de Mogi das Cruzes. Da esquerda para a direita, iniciando pelos em pé: Capitão Emílio Navajas, Capitão Ajudante Francisco José de Almeida, Tenente Aristóteles de Andrade, Capitão Ajudante Brasílio Pinto da Fonseca, Capitão João Eslebão das Neves, Tenente Secretário do Estado Maior Manuel de Souza Melo Freire, Alferes Adelino Mello, Tenente Secretário Adelino Borges Vieira, Capitão Joaquim de Mello Freire, Tenente Andronico de Oliveira Lobo, Tenente Secretário Antônio José de Alcântara Ingliano, Tenente Eduardo Lopes, Tenente Quartel Mestre Luiz Marcondes dos Santos, Tenente Quartel Mestre Narciso de Mello Franco, Capitão Assistente Firmino Ladeira, Capitão Ajudante Leopoldo José de Sant’Anna, Tenente Coronel Comandante Francisco de Souza Franco, Coronel Comandante Benedito José de Almeida, Major Fiscal Francisco Pinheiro Franco, Capitão assistente Benedito Borges Vieira e 1º Tenente Climério Gondim da Fonseca (este último do Exercito Nacional).

O melhor de Mogi

O Parque Centenário, que homenageia os 100 anos da imigração japonesa por estes lados. Vale a pena ser visitado; vale a pena ser preservado.

O pior de Mogi

Essa mania dos condutores dos trens de carga passarem de madrugada pelo centro da Cidade tocando seus apitos. Para que nos servem eles além de importunar? E ninguém diz nada!!!!

Ser mogiano é….

Ser mogiano é… nas eleições proporcionais de outubro (deputados estadual e federal), votar em candidato com domicílio eleitoral em Mogi das Cruzes.

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