AVALIAÇÃO

Painel do TCE diz que a água do rio Tietê em Mogi é ‘regular”

MOSTRA De janeiro a outubro, índice oscila entre bom e regular, mas há meses sem medição e nem dados. (Foto: arquivo)

Lançado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), o Painel Rio Tietê torna público uma série de informações sobre obras da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), além de publicar dados levantados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) que mostram resultados do Índice de Qualidade das Águas (IQA) e do Índice de Preservação da Vida Aquática (IVA). Em Mogi das Cruzes, as medições de 2019 ficaram entre ‘boas’ e ‘regulares’ (veja quadro).

No quadro, é possível verificar dados obtidos no ano passado. Segundo a Cetesb, o monitoramento da qualidade das águas do Rio Tietê está situado no ponto principal de captação do município. Em 2019, o levantamento foi realizado por campanhas bimestrais de amostragem de qualidade das águas, em que são realizadas medições dos principais parâmetros físicos, químicos e biológicos. A partir dos resultados desses parâmetros são calculados os índices de qualidade das águas: IQA e IVA. Como a frequência da medição é bimestral, ela não acontece em alguns meses.

“Esses dados são, no mínimo, duvidosos. Essa análise é feita em São Paulo, porque em Mogi não tem condições. Fica um negócio todo obscuro e a gente é ‘obrigado’ a acreditar, porque não tem outra fonte de informação. Não adianta ficar feliz com um resultado desse, que precisa ser questionado, mas são poucas pessoas que fazem isso, infelizmente”, disse o ambientalista e presidente do Instituto Cultural e Ambiental Alto Tiete (ICATI), José Arraes.

O Índice de Qualidade das Águas faz uma avaliação relativa ao recebimento de efluentes orgânicos, principalmente esgotos domésticos, classificando o resultado da qualidade como ótima, boa, regular, ruim, péssima. Já o Índice de Preservação da Vida Aquática mede a qualidade para fins de proteção da fauna e flora e leva em consideração a presença e a concentração de contaminantes químicos tóxicos e seus efeitos nos organismos aquáticos.

Ainda que apresente todos esses dados, o principal propósito do Painel é monitorar e dar transparência aos recursos públicos destinados à despoluição do leito do Rio Tietê. As obras, referentes às etapas III e IV do Projeto Tietê para ampliação da cobertura de coleta, transporte e tratamento de esgotos, são realizadas pela Sabesp e, em valores atualizados, as contratações somam mais de R$ 2,3 bilhões.

O projeto de recuperação do Rio, entretanto, não passa por Mogi. Com mais de 1,1 mil quilômetros de extensão, o Tietê passa por diversos bairros da cidade, tendo pontes em lugares como César de Souza, Rodeio, Ponte Grande e Vila Industrial. Para Arraes, a limpeza no trecho mogiano é indispensável.

“Isso é uma visão miserável de burocratas que ficam sentados atrás de uma mesa e não são favoráveis à natureza. É um absurdo não beneficiar Mogi e eu já venho falando isso há mais de 10 anos, quando começou o Projeto Tietê. Não faz o menor sentido limpar Suzano e não limpar Mogi, porque toda a sujeira que tiver aqui vai ser jogada lá”, reivindicou o ambientalista.

Situação Rio Tietê – Mogi das Cruzes
Mês Condição
Preservação (IVA)* Qualidade (IQA)**
Janeiro Boa Boa
Fevereiro Sem Medição Sem Medição
Março Sem Medição Regular
Abril Sem Medição Sem Medição
Maio Regular Boa
Junho Sem Medição Sem Medição
Julho Regular Boa
Agosto Sem Medição Sem Medição
Setembro Sem Dados Boa
Outubro Sem Dados Sem Medição
*Índice de Preservação da Vida Aquática
**Índice de Qualidade das Águas
Fonte: Tribunal de Contas do Estado / CETESB


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