CARTAS

Palavras

Laerte Silva

O presidente Jair Bolsonaro vai piorando cada vez mais sua popularidade, que já é baixa, com a acidez de seus discursos e suas palavras. Ao contrário de pacificar, de pensar nas consequências e desdobramentos de suas atitudes, prefere o enfrentamento com quem não concorda com seu governo. E faz escola com a postura agressiva de alguns de seus ministros. Reagindo a provocações e desdenhando de quem não comunga de suas ações, vai cavando um abismo para si mesmo.

É um governo de atropelos, opções diplomáticas equivocadas e viagens enquanto o Brasil pede socorro. Ele não está mais no palanque eleitoral e não entende que tem poucas fichas no jogo da articulação. Precisa correr o Brasil, discutir e ser propositivo, explicar as medidas que pretende implantar, principalmente a reforma da Previdência Social que virou o carro chefe da salvação do país.

Não é reverenciando o presidente americano como quem vai à Disney, que as grandes questões nacionais vão acabar. Não deveria ocorrer sistematicamente a divisão entre bolsonaristas e os “demais”. Não é rotulando de idiota quem não lhe segue que terá um ambiente de paz, ao contrário, em pouco tempo de mandato vai mostrando que não está preparado para o cargo, que está longe de ser um estadista, alguém ungido para resolver tudo.

Com anos de mandato Bolsonaro mostra que não tem habilidade para o diálogo com o parlamento, e suas pretensas frases de efeito não colaboram em nada com o Brasil, com a pacificação. Tem que baixar a bola da ideologia excessiva e aprender com os recados das ruas. Sim, se as manifestações “pela educação” não forem consideradas, se passar a hostilizar, vai pagar um preço por isso, mais cedo ou mais tarde.

Some-se à esse clima de confusão de administração o fato de que seu filho segue investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em operações esquisitas e que serve de combustível para aumentar sua irritação. Pois bem, se não nasceu para ser presidente, terá que aprender na marra, e mostrar à todos que tem capital político para segurar a bronca. O Brasil precisa dar certo, a nação toda espera que o desemprego caia e as filas gigantes de desvalidos não sejam notícia. É claro que temos que considerar que muitas das mazelas não foram criação do presidente, mas agora a bola está com ele, não bastam mais meras palavras de campanha.

Laerte Silva é advogado

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